«Redução vertiginosa» do colesterol mau

Segundo a endocrinologista Elisabete Rodrigues, os anticorpos monoclonais inibidores da PCSK9 que se encontram em desenvolvimento parecem trazer “reduções vertiginosas” do colesterol LDL. A informação foi avançada por ocasião do XXII Congresso Português de Aterosclerose, que decorreu no Porto.

Sobre esta matéria em particular, Pedro Marques da Silva, consultor de Medicina Interna, adianta que não parece haver diferenças notórias entre os dois principais anticorpos monoclonais para a PCSK 9 em desenvolvimento -- evolocumab e alirocumab --, sendo que ambos “conseguem reduções do colesterol LDL acima dos 50% do valor basal”, estejam os doentes previamente tratados com estatinas ou não.

De acordo com o especialista, decorrem neste momento três estudos de eventos cardiovasculares, dois com as moléculas anteriormente referidas e um outro com uma terceira que também está em desenvolvimento. Só depois de terminados é que, afirma, “é possível ter a noção direta do que isto pode representar em termos do tratamento dos doentes que depois de tratados com estatinas persistem com risco cardiovascular significativo”.

Pedro Marques da Silva menciona que os resultados de segurança mais prolongados que existem – sem motivo de preocupação --, até agora, são às 52 semanas, restando algumas questões em aberto:

“Só uma farmacovigilância efetiva, o programa de gestão de risco a que vai obedecer a aprovação destes medicamentos e a realização final destes estudos de longo prazo é que poderão afirmar ou infirmar os aspetos de segurança que possam estar associados quer à redução do colesterol LDL para valores médios entre os 30-50 mg/dl, quer à utilização dos anticorpos monoclonais numa abordagem terapêutica diferente”.

Este foi um dos assuntos discutidos no congresso, numa conferência proferida por Alberico Catapano, presidente da Sociedade Europeia de Aterosclerose, sobre o futuro no tratamento dos doentes de alto risco.

Além da abordagem de algumas questões controversas da prática clínica diária, Elisabete Rodrigues, que presidiu ao XXII Congresso Português de Aterosclerose, sublinha que estiveram em evidência as novidades que se registaram no último quer no que respeita à terapêutica antitrombótica, quer relativamente aos novos anticoagulantes e antiagregantes.

A presidente do Congresso destaca ainda a abordagem aos novos fármacos na diabetes e o impacto que estes terão na doença cardiovascular, nomeadamente os agonistas GLP-1, os Inibidores SGLT-2 e os inibidores DPP-4.

O congresso da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, presidida por Alberto Mello e Silva, contou com mais de 200 participantes.

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