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Medicina Interna: Núcleo de Diabetes da SPMI comemora 30.º aniversário com «energia renovada»

Outubro será um mês especial para o Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. A sua 16.ª Reunião Anual "será um acontecimento comemorativo e de grande Ciência", assegura Estevão de Pape, coordenador deste Núcleo, em declarações à Just News.

Esta reunião, que será presidida por Isabel Lavadinho, internista da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, decorrerá nos dias 28 e 29 de outubro, em Évora, e fica marcada pela celebração do 30.º aniversário do NEDM, um núcleo que tem sido extremamente dinâmico ao longo dos anos.

Mas, ainda no início do mês de outubro, o NEDM vai marcar presença no 28.º Congresso Nacional de Medicina Interna, com a sessão “O poder da diabetes na Medicina Interna”. Como Estevão de Pape afirma, “estamos perante uma patologia transversal e é importante tratarmos temáticas como o estudo DIAMEDINT 3, a abordagem do NEDM ao longo dos anos e a perspetiva futura organizacional para a diabetes em Portugal”. Num âmbito pré-congresso, será realizado um curso que pretende “revisitar e modernizar a insulinoterapia”.

Simultaneamente, ao longo do ano, e como é já habitual, o NEDM procura estar presente nas reuniões de outras sociedades com as quais mantém ligação, como foi o caso do 18.º Congresso Português de Diabetes, organizado pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia e realizado em fevereiro, e do Congresso Português de Hepatologia, que aconteceu em abril, pelas mãos da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado.


Estevão Pape: “O NEDM contribui para que o doente com diabetes e pré-diabetes seja conhecedor da patologia e das suas consequências, alavancando a sua autoconfiança no sistema”

“A patologia diabética cruza-se com outras áreas, como a IC, a doença renal e a obesidade”


É propósito de Estevão Pape marcar ainda presença em reuniões nacionais de outros núcleos de estudo da SPMI, como o de Insuficiência Cardíaca, Prevenção e Risco Vascular e ainda de Hospitalização Domiciliária. Não é por acaso.


O médico reconhece o peso da Medicina Interna na abordagem destes doentes e a necessidade de a classe médica ser “mais ágil para que a sua eficácia e expertise possa ser bem utilizada”.

Como elucida, “a ‘linha de montagem’ de um diabético é diferente – na maioria dos casos, senão em todos os hospitais do SNS, há consultas multidisciplinares organizadas e as equipas têm que estar bem oleadas e otimizadas, para se poder ver mais e melhor”.

Esta gestão acaba por ficar “comprometida devido à carga de trabalho associada aos serviços de Urgência e à própria inércia global”.

Simultaneamente, enfatiza o facto de “a patologia diabética se cruzar com outras áreas, como a insuficiência cardíaca ou a doença renal”, reforçando a importância da faceta holística do internista no tratamento destes doentes. Também a obesidade tem sido um foco de preocupação, o que levou a que essa área fosse selecionada como tema da 8.ª Reunião Temática do NEDM, realizada em maio.

“A obesidade é a principal causa de diabetes e há novas abordagens, por isso, chamámos médicos de vários núcleos e especialidades, nomeadamente a Endocrinologia, a estar presentes, porque queremos formar, mas aprender também e fazer um refresh sobre o tema”, explica.

Continuar a entusiasmar os médicos intermos "para esta área de trabalho"

Trinta anos após a constituição do NEDM, Estevão de Pape regista a maior organização associada, entre outros aspetos, ao aumento do número de consultas e de unidades no SNS, devido “ao interesse dos internistas e à pressão da patologia”.

Neste âmbito, destaca a importância de “estimular os internos para esta área de trabalho, entusiasmando-os  pela patologia e promovendo a sua formação, inclusive no estrangeiro”, contactando com outras realidades, tal como aconteceu consigo, quando esteve seis meses em Paris, no Service de Diabétologie do Hôtel-Dieu, durante o internato de FE, em especial para conhecer a terapêutica com insulina basal-bolus.


Diabetes tipo 2: “O salto farmacológico é gigante”

A nível terapêutico, Estevão de Pape reconhece a evolução registada ao longo dos anos, com o surgimento de “novas insulinas e bombas de insulina e outros métodos tecnológicos na diabetes tipo 1”.

Já no tipo 2, descreve que “o salto farmacológico é gigante”, chamando a atenção para o surgimento de “novas classes terapêuticas e de novos fármacos que cruzam a diabetes com outras patologias, trazendo uma nova esperança aos doentes”.

Eleito coordenador do NEDM na reunião anual de 2017, o nosso entrevistado demonstra que também no próprio Núcleo foi preciso “dar o salto, independentemente do trabalho realizado pelos antecessores, trazendo novos elementos à equipa, renovando totalmente a energia que existia, e articulando o NEDM e a SPMI com outras sociedades científicas”. Somou-se a realização de variados estudos e cursos e-learning, a publicação de consensos, livros e materiais e a promoção de bolsas de investigação, por exemplo.

A importância de um registo nacional de diabéticos tipo 1

Havendo uma prevalência de diabetes entre 10 e 13% na população portuguesa, Estevão de Pape lamenta que não exista ainda um registo nacional de diabéticos tipo 1. “Seria um trabalho relativamente fácil de executar pelo Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes, mas é preciso alguma proatividade e que os médicos efetivamente registem os diagnósticos”, refere.

Já no caso da diabetes tipo 2, “apesar da criação de unidades coordenadoras funcionais de diabetes e da articulação entre CSP e cuidados hospitalares, o desafio está no diagnóstico prévio”. Como explica, “a população deve conhecer e estar mais atenta aos comportamentos de risco, mas a falta de acesso à MGF – muitos portugueses não têm sequer médico de família – tem sido um entrave”.



Trazendo à conversa o exemplo de Inglaterra, onde diz existir “uma coordenação grande entre os CSP e a medicina especializada”, descreve que, lá, os médicos de família têm de autorizar a ida dos seus utentes às consultas hospitalares, inclusivamente privadas.

Olhando para a dinâmica registada no nosso país, motivada pelo “desenvolvimento dos seguros de saúde e pela informatização das marcações de consultas”, fala num “gasto de saúde desnecessário”, adensado ainda pelas “vias da Saúde 24 e do INEM, que disrompem o sistema, sobretudo no que respeita ao enorme recurso aos serviços de Urgência, assim como a internamentos hospitalares desnecessários”.

Entendendo que “a pessoa deve ter um médico assistente”, considera mesmo que, “no caso de um doente ser internado, o médico de família deve ser, pelo menos, informado”,
dinâmica que assegura realizar-se no Serviço de Medicina Interna do Hospital Garcia de Orta, onde integra a equipa.



 A entrevista completa pode ser lida no jornal Hospital Público 34.

Dirigida a profissionais de saúde e entregue em serviços dos hospitais do SNS, esta publicação da Just News tem como missão a partilha de boas práticas, de boas ideias e de projetos de excelência desenvolvidos no âmbito do SNS, visando facilitar a sua replicação.

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