Maioria dos Portugueses não conhece os sintomas da pneumonia
"Os Portugueses ainda estão pouco esclarecidos relativamente à pneumonia e às principais formas de prevenção", refere Carlos Robalo Cordeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, acrescentando: "96% dos inquiridos durante o Esquadrão da Pneumonia já tinha ouvido falar de pneumonia, mas apenas 38,2% conhecia os sintomas. 71% afirmou não saber a diferença entre gripe e pneumonia e somente 25,5% sabia as suas formas de prevenção".
Os inquéritos foram realizados aos que se aconselharam no Esquadrão da Pneumonia, campanha de sensibilização e prevenção da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), que percorreu o país ao longo de duas semanas, com o objetivo de alertar a população para a pneumonia e para os problemas com ela relacionados.
Dos 1021 participantes, apenas 55 (5,4%), estavam vacinados contra a pneumonia. A precaução e o aconselhamento médico foram as razões apontadas por quem optou pela vacinação. A falta de aconselhamento, de conhecimento ou de informação, por outro lado, foram principais motivos apontados pelos que ainda não tomaram a vacina pneumocócica.
Para além da pneumonia, a vacina pneumocócica previne formas graves da infecção por pneumococos como a meningite e a septicémia. Durante a Semana Europeia da Vacinação, que se comemora entre os dias 22 e 26 de abril, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia lança o alerta: a vacinação é a melhor forma de prevenção.
Sociedade Portuguesa de Pneumologia alerta para a importância da vacinação pneumocócica
A vacina pneumocócica previne formas graves da infecção por pneumococos, como a pneumonia, a meningite e a septicémia e outras menos graves, como a otite média aguda e a sinusite.
Prevenível através de vacinação, a infeção por Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é uma causa comum de morbilidade e mortalidade. As crianças e os adultos a partir dos 50 anos, são os mais afetados pela doença pneumocócica, bem como grupos de risco, que incluem pessoas com doenças crónicas associadas como a diabetes, doenças respiratórias ou cardíacas, e que tenham hábitos como o alcoolismo e ou o tabagismo.
Um estudo internacional, que incluiu cerca de 85.000 adultos com 65 ou mais anos de idade, demonstrou a eficácia clínica da vacina pneumocócica conjugada 13 – valente (VPC13) na prevenção da pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em adultos. «Excelentes notícias» para a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, para quem este resultado se traduz num «avanço significativo no combate à pneumonia».
“Apesar dos eforços das sociedades científicas ao nível local, e das recomendações para a tomada de medidas preventivas, a pneumonia pneumocócica continua a ser um das principais causas de morbilidade e mortalidade nos adultos. Os resultados deste estudo e a consequente consciência do potencial da vacinação, vêm reforçar esta posição. Representam um enorme contributo para a melhoriada qualidade da saúde pública, não só em Portugal, como em todo o mundo", acrescenta Robalo Cordeiro.
Apesar da maior incidência na época das gripes, a pneumonia não é sazonal e há mortes e internamentos durante os 12 meses do ano. É por isso, fundamental que se faça a vacinação, independentemente do mês ou da estação em que se está.
«A vacinação é a melhor forma de prevenção e pode ser feita em qualquer altura do ano», explica o presidente da SPP. «Ao contrário do que se pensa, a pneumonia não é sazonal. Há internamentos e mortes por pneumonia ao longo de todo o ano, pelo que consideramos que a prevenção deve constituir um acto contínuo na relação médico-doente».
É cada vez maior o número de casos de pneumonia adquirida na comunidade: entre 2000 e 2009, ocorreram cerca de 8 milhões de episódios de internamentos de adultos em instituições do Serviço Nacional de Saúde em Portugal continental. 294.027 tinham pneumonia como diagnóstico principal.


