Infeção VIH: risco de interações medicamentosas cresce com aumento de número de fármacos
“Com a evolução da terapêutica antirretrovírica, a infeção VIH tornou-se uma doença crónica e a idade média dos doentes infetados tem aumentado”, afirma Carmela Piñeiro, assistente hospitalar do Serviço de Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar de São João.
A especialista sublinha que, por este e outros fatores, cada vez são mais frequentes comorbilidades como a hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronária, diabetes, osteoporose ou neoplasias, entre outras, sendo que, “à medida que o número de fármacos é maior, o risco de interações medicamentosas também aumenta”.
Por este motivo, refere, “as potenciais interações entre os antirretrovíricos e outros fármacos devem ser consideradas na escolha do esquema de tratamento para a infeção VIH ou para outras comorbilidades que possam apresentar estes doentes, evitando comprometer a eficácia e segurança da medicação”.
Segundo a médica, muitos antirretrovíricos podem ter interação com outros medicamentos, aumentando os níveis e os efeitos secundários, ou pelo contrário diminuindo os níveis e comprometendo a eficácia. “A indução ou inibição enzimática tem influência nos níveis plasmáticos dos fármacos”, menciona a especialista, acrescentando que os inibidores da protease (IP) e os inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa (INNTR) são metabolizados pelo CYP3A4, da mesma forma que muitos outros fármacos.
As interações são muitas e com consequências que podem ser graves, pelo que Carmela Piñeiro frisa que é “fundamental ter informação de todos os produtos a que o doente está exposto, incluindo medicamentos que não precisam de receita médica, complementos dietéticos, chás e outros produtos de ervanária ou drogas recreativas”.

Na edição de abril do Jornal Médico é publicado um Dossier SIDA, com entrevistas a mais de uma dezena de especialistas.


