Hospital do Funchal cria Unidade Polivalente de Medicina Interna para reduzir sobrelotação da urgência
Ajudar a resolver o problema da sobrelotação do serviço de urgência hospitalar é o grande objetivo da futura Unidade Polivalente de Medicina Interna, que está em construção no Hospital Central do Funchal. Trata-se de um projeto inovador que Maria da Luz Brazão, diretora do Serviço de Medicina Interna, apresentará este fim de semana no I Congresso Nacional de Urgência, que decorre no Funchal.
Inspirada nos modelos que funcionam com sucesso em Madrid, a Unidade Polivalente de Medicina Interna terá como principais características a assistência médica permanente e uma articulação estreita com os diferentes serviços e unidades do Hospital Central do Funchal.
Segundo Maria da Luz Brazão, pretende ser uma resposta a muitos dos problemas que vão estar em debate no congresso nacional que decorre no Funchal, neste fim de semana: reduzir a sobrelotação das urgências e aumentar os ganhos de eficiência e eficácia na prestação de cuidados.
Considera a especialista que “a crise económica que atravessamos torna a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde um dos temas mais importantes da atualidade, sendo os gastos em Saúde um dos assuntos mais preocupantes para administradores e gestores de unidades hospitalares autónomas".
Na sua opinião, as previsões mostram que este problema "tende a agravar-se no futuro, não só pelo progressivo envelhecimento da população, com consequente aumento da sobrevida das doenças crónicas e das comorbilidades, como também devido ao desenvolvimento tecnológico e científico, com a consequente disponibilidade de terapêuticas e meios complementares de diagnóstico de elevado custo.”
Neste contexto, e para Maria da Luz Brazão, os internistas, pela sua “capacidade de liderança e de trabalho em equipas multidisciplinares, aliada a um edifício teórico sólido e destreza na execução de técnicas”, são os mais bem preparados para “lidar com todas as exigências da prestação deste tipo de cuidados médicos, não só nas enfermarias como também em unidades diferenciadas, hospitais de dia, consulta externa e em especial nos serviços de urgência dos hospitais portugueses”.
A alternativa encontrada no Hospital Central do Funchal passa pela criação de unidades de internamento curto (UIC), unidades de diagnóstico rápido (UDR), hospitais de dia (HD), hospitalização domiciliária (HAD) e gestão do doente agudo e crónico. Serão estas as valências que compõem a futura Unidade Polivalente de Medicina Interna, que está a ser construída junto ao Hospital Dr. Nélio Mendonça e cujo projeto será dado a conhecer no congresso
Sob o lema “No dealbar de uma nova era”, o congresso organizado pelo Núcleo de Estudos de Urgência e do Doente Agudo (NEUrgMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, coordenado por Maria da Luz Brazão, vai promover o debate sobre temas como a articulação entre o pré-hospitalar e a urgência, ou a infeção e o erro no serviço de urgência. A Comissão Científica do congresso é presidida por António Martins Baptista.
O programa do I Congresso Nacional da Urgência pode ser consultado aqui.



