Graça Freitas alerta para a necessidade de se combater a resistência à vacinação
Quando surgem pais que não querem vacinar os filhos, os profissionais de saúde devem explicar-lhes quais os riscos que se correm com essa atitude, nomeadamente, quando se viaja para certas zonas do Globo. Este é o conselho que Graça Freitas, subdiretora-geral da Saúde e presidente do Programa Nacional de Vacinação (PNV), dá a todos os profissionais que lidam com casos de resistência ou de hesitação em vacinar crianças.
À margem da cerimónia que assinalou os 50 anos do PNV e os 36 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que decorreu no Auditório do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, Graça Freitas relembrou os benefícios das vacinas. “Previne-se a doença individualmente, mas também se contribui para a imunidade de grupo, evitando-se as complicações de várias patologias que, nalguns casos, até podem ser letais.”
E continua: “Atualmente, existem 13 vacinas integradas no PNV e a cobertura da população é superior a 95%.” No seu entender, este sucesso deve-se à criação do SNS, “que tanto tem ajudado no sentido de se vacinar a população”.
Estando há cerca de 20 anos à frente do PNV, Graça Freitas disse que os momentos mais marcantes foram todos aqueles que ajudaram a modernizar o Programa. “Foi formidável passarmos de frascos multidose – desperdiçando-se os restos – para a unidose, em seringas pré-carregadas.”
Para a responsável da DGS, é também “impossível esquecer a expansão do PNV, com a integração da vacina contra as hepatites B e C, o HPV e, mais recentemente, a vacina pneumocócica polissacárida conjugada de 13 valências”.
No evento, José Gonçalo Marques, do PNV, falou ainda da proposta que existe sobre limitar a BCG apenas a grupos de risco, já que Portugal cumpre todos as indicações previstas pela OMS para que a vacina possa não ser obrigatória.
Filipe Froes, do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC), salientou a importância da administração da vacina da gripe, principalmente no grupo dos profissionais de saúde.
O evento contou ainda com a presença de José Pereira Miguel, diretor do Instituto de Medicina Preventiva da FMUL, de Ana Leça, vice-presidente da Comissão Técnica de Vacinação, e do testemunho do pediatra Gonçalo Cordeiro Ferreira, do CHLC.
No encerramento da sessão procedeu-se ao pré-lançamento de um selo alusivo aos 50 anos do PNV, com a presença do ministro da saúde, Paulo Macedo.





