Geriatria em Portugal: «ainda são muito poucos os locais de formação»

Quem trata de idosos deve reconhecer as suas particularidades, defendeu hoje Manuel Teixeira Veríssimo, presidente do Colégio da Competência de Geriatria da Ordem dos Médicos (OM), na abertura da 2.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Geriatria (GERMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que está a decorrer em Aveiro.


Comissão Organizadora: Sofia Duque, João Gorjão Clara, Lia Marques, Eduardo Haghighi e Paulo Almeida

Na opinião daquele responsável, que representou o bastonário da OM, como membro do Conselho Nacional, todos os médicos devem saber de Geriatria, devendo aquela ser, por isso, uma disciplina ensinada não só no pré-graduado, o que, segundo referiu, “acontece na maioria das faculdades portuguesas”, mas também no pós-graduado.

Para Manuel Teixeira Veríssimo, sobretudo as especialidades mais generalistas, porque lidam com os idosos, têm de ter uma formação mais avançada em Geriatria, nomeadamente a Medicina Geral e Familiar, a Medicina Interna e, eventualmente, outras.



É necessário, para tal, que existam locais onde possa ser feita essa formação que, conforme disse o internista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), em Portugal ainda são poucos, embora nos últimos tempos tenham surgido alguns e haja perspetivas de serem criados outros. “Estamos atrasados na área da Geriatria, mas a caminhar com um pouco mais de velocidade.”

Disse ainda que, no nosso País, a diferenciação em competência, como acontece atualmente, “está muito bem”. “Na Europa, há países onde a Geriatria é uma especialidade, outros onde é uma subespecialidade e outros onde é uma competência. Considero que o importante é agregar e não dispersar.”



Uma opinião que é partilhada pelo presidente da SPMI, Luís Campos, outro dos intervenientes da sessão de abertura. “Criar especialidades no contexto dos países do Sul, nomeadamente em Portugal, onde não há um tronco comum de Medicina Interna, como existe no Centro ou no Norte da Europa, é fragmentar ainda mais os cuidados e obrigar um licenciado a enveredar por uma área de especialização, por vezes com um elevado burnout, sem possibilidade de retorno”, afirmou.



Por sua vez, João Gorjão Clara, coordenador do GERMI, reconhece que a criação da competência pela OM foi “um passo fundamental para a Geriatria começar a ganhar terreno no nosso País”, contudo, acredita que “mais cedo ou mais tarde, a Ordem dos Médicos vai reconhecer a Geriatria como especialidade médica”, o que, “já acontece na maioria dos países civilizados do Mundo”.



Em representação do Presidente da República, na qualidade de seu assessor, Mário Pinto, que além de ser médico está a concluir o doutoramento na área da Geriatria, lembrou que, atualmente, na Europa, existem apenas dois países em que não há cadeira de Geriatria no ensino da Medicina, Portugal e a Grécia.

“Estamos expectantes que as autoridades consigam olhar com mais interesse para este tema tão importante para a saúde dos portugueses”, acrescentou.

O Município de Aveiro esteve representado por Miguel Capão Filipe, vereador da Saúde e também ele especialista de Medicina Interna, que se encarregou de dar as boas-vindas aos participantes. A acontecer até ao próximo domingo, a 2.ª Reunião do GERMI conta com mais de uma centena de participantes.


Intervenientes na sessão de abertura da reunião: Luís Campos, Miguel Capão Filipe, Teixeira Veríssimo, Mário Pinto e João Gorjão Clara 




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