Fisiatra é um elemento fundamental numa unidade de dor
“A dor é a principal razão de procura de cuidados médicos em geral e de forma particular na área da Medicina Física e de Reabilitação”, adverte Filipe Antunes, médico fisiatra do Serviço e Unidade de Dor do Hospital de Braga.
Numa perspetiva temporal, o médico afirma poderem ser diferenciadas as situações de dor aguda, “bem definida no tempo e espaço e resultante de um estímulo específico diferenciado”. Por outro lado, “a dor crónica, entendida como síndrome disfuncional, repercute-se na globalidade do indivíduo, com implicações a nível das suas capacidades funcionais, causando limitações de atividade e de participação ativa na vida diária”.
Segundo Filipe Antunes, na prática clínica, o controlo da dor crónica é muitas vezes difícil de alcançar. “A existência de unidades de dor crónica constitui uma oportunidade de acesso a recursos terapêuticos específicos, apresentando-se como uma ferramenta essencial na otimização do tratamento, particularmente nos casos clínicos mais complexos”, adianta.
O especialista desenvolve, porém, que isto pressupõe a formação de equipas multi e interdisciplinares, acrescentando mais potencialidades terapêuticas, particularmente na disponibilização de diferentes saberes e práticas de atuação, procurando resultados sinérgicos em termos de eficácia analgésica.
“O fisiatra, especialista em Medicina Física e de Reabilitação, abarca competências médicas diferenciadas, manejando arsenais terapêuticos farmacológicos e práticas clínicas não farmacológicas. Constitui um elemento fundamental na atividade de uma unidade de dor crónica, dado o conjunto de atitudes e terapêuticas diferenciadas que pode oferecer, privilegiando as que promovam analgesia mantendo a atividade do indivíduo, em detrimento do mero recurso à utilização de fármacos.”
Além disso, “perspetiva o conceito global de independência funcional e de melhoria da qualidade de vida do doente, tão fundamental no indivíduo que sofre de dor. Recorre a uma avaliação global de cada paciente e programa as ações a realizar, tendo em conta a funcionalidade intrínseca e individual de cada um, levando em linha de conta os aspetos psicológicos, familiares, sociais e profissionais de quem o procura, implementando depois o programa de intervenção reabilitador e abrangente de todas estas vertentes da dor crónica”.
Filipe Antunes conclui mencionando que “esta constatação tornou possível a progressiva presença do fisiatra nas unidades de Dor Crónica, quer pela formação adquirida, quer pela necessidade crescente de cuidados nesta área médica, particularmente no âmbito da patologia musculoesquelética, a etiologia mais prevalente da dor crónica em Portugal”.



