Diabetes mellitus implica uma gestão muito cuidadosa
“A diabetes mellitus (DM2) é uma doença crónica que frequentemente se associa a outras doenças crónicas, como a hipertensão arterial, a dislipidemia, a obesidade e outras doenças cardiovasculares que, pela sua complexidade, implicam uma gestão muito cuidadosa”, alerta Felicidade Malheiro, coordenadora da USF Arca d’Água, em Paranhos (Porto).
Por outro lado, indica, ”a DM2 deve ser também gerida pelo próprio doente, sobretudo na modificação dos estilos de vida, de controlo ponderal e de atividade física”. Para ajudar os doentes a assumir esta responsabilidade com êxito, “o médico tem que saber motivar e capacitar o doente para o objetivo último de um bom controlo metabólico e em conjunto, escolhendo as opções de tratamento que melhor respondem às necessidades e aos problemas específicos de cada doente “.
Durante as Jornadas de Actualização Cardiológica do Norte para a Medicina Geral e Familiar, foi feita uma apresentação com a simulação de uma consulta, na qual foi avaliada a história de uma mulher de 58 anos, com excesso ponderal, hipertensa há 10 anos, com diabetes mellitus desde há cinco anos, com dislipidemia e má adesão ao tratamento.
“Nas três consultas, espaçadas no tempo, em que a MF tentou motivar a doente para os benefícios das alterações de estilo de vida, das vantagens do tratamento e da prevenção do aparecimento de complicações, a ‘doente’ foi esgrimindo argumentos, à semelhança do que acontece no nosso dia-a-dia de trabalho, para o seu não cumprimento, ao mesmo tempo que apresentou algumas queixas que levam o médico a considerar as diferentes alternativas terapêuticas, a promover o ensino da doente na gestão da doença e a negociar os objetivos a atingir, comprometendo-a e dando-lhe ferramentas para saber tratar e prevenir algumas das complicações e assim gerir a sua doença”, relata a especialista em MGF.
O caso clínico foi avaliado conjuntamente pela MGF e pela Endocrinologia, cada uma com as suas especificidades, quer nas formas de abordar, quer nas formas de motivar o doente para o seu envolvimento na gestão da sua doença. Foram ainda apresentadas, avaliadas e discutidas as justificações teóricas, baseadas no estado da arte, para os diferentes procedimentos da consulta.
Além do desafio proposto, foi feito ainda um exercício de gestão da terapêutica e prevenção de complicações, envolvendo o mais possível todos os presentes na discussão do caso.



