«Cadeia da Esperança» ajuda ao desenvolvimento da Cardiologia em São Tomé e Príncipe

Uma equipa constituída por dois cardiologistas, pertencentes à Cadeia da Esperança-ONG (organização não governamental), realizou, no início do ano, a 13.ª missão cardiológica em São Tomé e Príncipe, concretamente no Hospital Ayres de Menezes. A Just News falou com os dois médicos, Nuno Quintal e Marco Costa, ambos do Serviço de Cardiologia do Hospital Geral (HG) de Coimbra, bem como com Miryan Cassandra, que está a terminar o internato de especialidade neste Serviço e que será a primeira cardiologista santomense.

Durante a última missão, os cardiologistas Nuno Quintal e Marco Costa observaram 230 doentes, dos quais nove tiveram indicação de evacuação urgente para o Serviço de Cardiologia do HG (sob a direção de Lino Gonçalves), atualmente integrado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), para realizarem exames complementares de diagnósticos invasivos, bem como alguns procedimentos de intervenção estrutural percutânea. Noutros casos são necessárias intervenções cirúrgicas, realizadas no Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, dirigido por Manuel Antunes, atual presidente da Cadeia da Esperança.



Nuno Quintal participa neste projeto desde o início, tendo feito 11 das 13 missões que decorreram até agora. Segundo o cardiologista, a concretização do projeto reporta-se a 2009, iniciando-se a colaboração com o Hospital Ayres de Menezes (HAM), com dois cardiologistas pertencentes à ONG, António Leitão Marques (presidente nessa altura) e ele próprio, ambos do Serviço de Cardiologia do HG.

“Constatámos que no HAM não existia qualquer especialista nesta área, nem tão pouco os equipamentos básicos de diagnóstico. Nesse sentido, ofereceram-se dois aparelhos fundamentais, o eletrocardiógrafo e o ecocardiógrafo, de forma a permitir a realização de um trabalho suficientemente eficaz de diagnóstico e de orientação terapêutica das doenças cardiovasculares”, conta.

Para Marco Costa, esta foi a primeira missão em São Tomé e Príncipe, visto nos últimos anos ter estado mais envolvido em missões cardiológicas, nomeadamente de cardiologia de intervenção em Moçambique, levadas a cabo há já vários anos. O cardiologista destaca que, além da observação do doente cardiológico a nível local, a equipa tem feito formação aos médicos e profissionais que estão em São Tomé e Príncipe.

Marco Costa faz ainda questão e frisar o envolvimento do cônsul de São Tomé e Príncipe em Coimbra, José Diogo, que apoia, sobretudo, na parte logística, bem como da secretária do Serviço de Cardiologia do HG, Carla Castro.



Mais de 2 mil doentes observados

Ao longo destes seis anos, Nuno Quintal adianta que foram observados cerca de 2 mil doentes, tendo sido evacuados cerca de 100, a maioria dos quais submetidos a cirurgia cardíaca em Coimbra.

Para os próximos dois anos, o cardiologista adianta que se pretende alargar o espetro da intervenção a populações mais isoladas da cidade e prosseguir com o esforço de formação dos seus profissionais, “procurando parcerias locais, que progressivamente assumam a responsabilidade da manutenção e conservação dos equipamentos já doados e o fornecimento dos consumíveis imprescindíveis para a continuação do trabalho assistencial”.



Cadeia da Esperança forma primeira cardiologista santomense

A médica santomense Miryan Cassandra está a terminar o internato de especialidade no Serviço de Cardiologia do HG, proporcionado pela Cadeia da Esperança, e irá assumir a coordenação da Unidade de Cardiologia do HAM, a partir de 2016.

Após o internato, a médica será a primeira cardiologista da ilha, assim como a primeira especialista certificada pela Ordem dos Médicos, recentemente criada, o que, na sua opinião, “é uma grande responsabilidade”. No entanto, considera estar a ter uma boa preparação para isso, facto esse confirmado pelo seu tutor, Marco Costa, que adianta as “excelentes qualidades intelectuais e humanas que farão da interna de Cardiologia uma referência cardiológica futura”.

No futuro, Miryan Cassandra espera que outros médicos possam ter a mesma possibilidade, porque “os especialistas fazem muita falta no país”.




A reportagem completa pode ser lida na atual edição de LIVE Cardiovascular.

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