“A MGF está preparada para gerir a maioria das doenças respiratórias”
Pedro Fonte, 42 anos, que integra a equipa da USF do Minho, é, desde abril, o novo coordenador do GRESP-APMGF, sucedendo a Cláudia Vicente. Nesta entrevista, destaca a capacidade dos médicos de família em lidar com as doenças respiratórias.
Pedro Fonte não consegue dizer se os jovens médicos de família e internos de MGF sentem, atualmente, uma maior atração pela área respiratória do que há cerca de uma dezena e meia de anos, quando o GRESP – Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias começou a intensificar a sua atividade e realizou, em 2011, as suas primeiras Jornadas.
“Não sei se há um interesse crescente. Acho é que há uma melhor preparação dos colegas mais novos, que é algo que verificamos, por exemplo, nas ações de formação que realizamos. Antigamente, tínhamos mesmo que começar pelo básico, agora, já não sentimos essa necessidade. Os internos e os especialistas em MGF mais recentes estão claramente mais aptos nesta área do que aquilo que acontecia há uns anos”, afirma o coordenador do GRESP, acrescentando ainda:
“Mas até acredito que esse interesse possa ser maior hoje em dia, desde logo porque as doenças respiratórias têm vindo a ganhar mais expressão nos indicadores dos CSP, e isso contribui para o desenvolvimento desta área, à semelhança do que sucedeu, por exemplo, com a cardiometabólica.”
Pedro Fonte considera que o médico de família tem atualmente “uma grande autonomia” na gestão das doenças respiratórias. Tendo em conta até a circunstância de, “contrariamente ao que sucede noutros países, incluindo alguns com mais recursos, em Portugal termos acesso à generalidade dos medicamentos inalados disponíveis. E a MGF está perfeitamente em condições de saber escolher e prescrever qualquer inalador”.
Os casos “claramente mais graves ou mais complexos, nomeadamente de asma e de DPOC, incluindo doentes potencialmente elegíveis para biológicos ou outras terapêuticas mais diferenciadas”, são naturalmente referenciados para a Pneumologia ou para a Imunoalergologia”.
O que continua a preocupar Pedro Fonte é o constrangimento que existe, ao nível dos cuidados de saúde primários, relativamente ao acesso a um exame básico como a espirometria, mas que é fundamental não só para diagnosticar uma série de doenças respiratórias como também para monitorizar a sua evolução.
“Há zonas do país em que isso não sucede, mas um dos locais onde o acesso à espirometria de qualidade continua a estar bastante limitado é precisamente aqui em Braga. Esse continua a ser, para mim, um grande problema”, frisa..jpg)
Pedro Fonte
O 5.º coordenador na história do GRESP
Foi depois de terminar o internato de MGF, em março de 2014, que a ligação de Pedro Fonte ao GRESP se tornou mais intensa, com a participação em ações formativas, a produção de documentos e até, um pouco mais tarde, coordenando os grupos de trabalho de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e de Provas Funcionais Respiratórias. Finalmente, em 2021, passou a integrar a Comissão Coordenadora do GRESP, quando Cláudia Vicente assumiu a liderança do Grupo.
Entretanto, avançando até abril de 2026, a médica de família da USF Araceti (ULS do Baixo Mondego), aproveitou a realização do maior evento anual da APMGF, o 43.º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar, para confirmar publicamente que iria deixar a coordenação do GRESP para assumir a presidência do International Primary Care Respiratory Group. Cargo de que tomaria posse dois meses depois, em junho, por ocasião da 13.ª Conferência Mundial do IPCRG, na Tunísia.
Foi também no evento de Troia que Cláudia Vicente anunciou o nome do novo coordenador do GRESP. Ainda assim, Pedro Fonte explica que, embora o seja formalmente desde abril, “acordámos que o processo de transição se vai prolongar até ao nosso evento, em outubro, estando a Dr.ª Cláudia Vicente ainda muito presente. Aliás, partilhamos os dois a presidência das 12.as Jornadas e o seu nome vai manter-se, pelo menos até lá, na lista dos membros da Comissão Coordenadora”.
Fundado a 19 de novembro de 2005, e com uma história de mais de 20 anos, o GRESP conhece agora o seu 5.º coordenador, que teve como antecessores no cargo João Ramires (2005-2010), Jaime Correia de Sousa (2010-2015), Rui Costa (2015-2021) e, claro, Cláudia Vicente (2021-2026).
“Passámos de um Grupo no início ainda com pouca expressão para aquilo que é hoje. Diria que os anteriores coordenadores, cada um à sua maneira, deram um contributo muito marcante para a relevância que tem atualmente. Destaco as formações que têm sido realizadas, a presença constante nos eventos da APMGF e a proximidade institucional que temos tido, em particular, à Sociedade Portuguesa de Pneumologia, à Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e ao Núcleo de Doenças Respiratórias da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, não esquecendo a nossa excelente relação com a Prof.ª Cristina Bárbara, do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da DGS”, salienta Pedro Fonte.
No seu entender, a visibilidade internacional do GRESP também merece realce, atribuindo grande responsabilidade por tal a Jaime Correia de Sousa, o primeiro português a presidir ao IPCRG e “para onde conseguiu arrastar vários colegas”. Entre estes está o próprio Pedro Fonte, que faz parte do projeto COPD Right Care desde a sua criação, em 2021, integrando a respetiva Strategy Team e coordenando o grupo português. Aliás, participou na 13.ª Conferência Mundial do IPCRG nessa qualidade, mas também como representante do GRESP na Assembleia-Geral daquela organização.
A entrevista completa com Pedro Fonte pode ser lida na edição de setembro 2026 do Jornal Médico.


