7.º Encontro das USF inicia «novo ciclo»

Entre os dias 14 e 16 de maio a Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) vai realizar, em Aveiro, a 7.ª edição do Encontro Nacional das USF, sob o lema: "Os 7 pilares das USF - Saúde e cidadania: um valor acrescentado". Em declarações à Just News, João Rodrigues, presidente do encontro, explica que o programa assenta em sete grandes pilares, que “têm por base iniciar um novo ciclo” porque, frisa, “o número 7 é um número mágico, um número de viragem”.

“Um ciclo dura sete anos e nós queremos homenagear este ciclo e dar-lhe um novo impulso", afirma João Rodrigues. É certo que o início do ciclo vai coincidir com um novo ciclo político, mas, como sublinha, “isso são coincidências positivas”.

Acrescenta: “Felizmente, iremos ter também um novo ciclo político - independentemente de poderem ficar os mesmos partidos no Governo, mas não nos queremos meter nessas matérias.”

Ainda a propósito do encontro, o presidente da próxima reunião magna das USF lembra que, no final, haverá um debate aberto para discutir o futuro dos cuidados de saúde primários e, obviamente, as unidades de saúde familiares. “Pretendemos – com os partidos políticos, cidadãos e representantes das diversas associações profissionais e de utentes – perceber se estamos no mesmo caminho, isto é, se temos os mesmos objetivos para desenvolver as USF”, assinala.



O programa é sustentado em pilares, “para que ocorra realmente o início desse novo ciclo”, o qual, de acordo com João Rodrigues, deve ter, no mínimo, a duração de três anos. “Obviamente, pretende-se que este 7.º Encontro tenha continuidade no 8.º e no 9.º para, depois, se fazer um balanço”, admite.

Os sete pilares estão relacionados com a “carteira genérica dos serviços, onde devemos envolver os profissionais, os utentes e a comunidade”, considera João Rodrigues, numa referência ao 6.º pilar, que, como adianta, “está virado para a participação do cidadão, para o seu envolvimento na vida executiva das USF e numa rede [de unidades] que precisa de ser criada e fomentada”.

Sobre a importância de outros itens do programa científico, o nosso interlocutor, ao ser questionado, destaca o pilar que se prende com a inovação: “Vamo-nos focar essencialmente nas áreas das novas tecnologias e do processo clínico eletrónico, nos temas ‘o que há de novo’ e como é que os doentes e profissionais veem isto em termos de interação”.

E concretiza: “Estando, neste momento, todos os processos clínicos informatizados e o médico com o computador à sua frente, é preciso ver se este está ou não a interferir na relação médico-doente». Para o especialista em MGF, que é também membro do Conselho Consultivo da USF-AN, é necessário avaliar se, neste aspeto, “estamos a prestar melhores ou piores cuidados em relação ao passado, quando não havia computador”.

De resto, este pilar – será o primeiro em discussão – “passa por uma reflexão a fazer num ‘laboratório de aptidões’ onde vamos debater a utilização do telefone, das novas tecnologias… no fundo, a comunicação”.

Já o segundo pilar incluirá a parte “mais assistencial direta”, isto é, a “abordagem mais técnica” no sentido clínico – o diabético, o doente asmático ou com DPOC, a obesidade, as dependências ou comportamentos aditivos, seja do álcool ou drogas ilícitas, o envelhecimento ativo, adianta ainda João Rodrigues. “Teremos 12 grandes áreas que serão abordadas em termos técnicos.”

Por último, comentando o terceiro pilar, o da área da governação clínica, lembra que pretende colocar em debate, nomeadamente, a acreditação das USF e questões como o ‘desenvolvimento contínuo’ e as boas práticas, entre outras. “No essencial, vamos ter pequenas formações de duas horas – os referidos ‘laboratórios de aptidões’ –, cujas conclusões vão ser depois apresentadas em plenário”, esclarece, acrescentando:

“No fundo, pretende-se que qualquer participante assista ao desenvolvimento de todas estas pequenas sessões.”

Imprimir


Próximos eventos

Ver Agenda