61º Congresso da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial com 550 inscrições

“É importante que os poderes públicos deem ouvidos aos otorrinos, para juntos encontrarmos formas de servir melhor as populações que nos estão confiadas”, afirmou Carlos Ribeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SPORL), na sessão de abertura deste que é o primeiro congresso organizado pela atual Direção e agradecendo ao representante do ministro da Saúde, Luís Cunha Ribeiro, presidente da ARSLVT, a sua presença.

E explicou: “A ORL é uma especialidade de proximidade relativamente aos cidadãos, uma vez que os contacta nos primeiros dias de vida para o teste auditivo neonatal, os acompanha ao longo da vida e na velhice lá está para apoiar a sua persbiacusia.”

Cumprimentando Gabão Veiga, o presidente de honra desta 61.ª edição do Congresso da SPORL, Carlos Ribeiro salientou as suas qualidades enquanto profissional e referiu que o convite que lhe foi dirigido “procura traduzir, de uma forma singela, mas muito sentida, a homenagem de todos os otorrinos portugueses ao colega que dedica a sua vida aos doentes e ao conhecimento científico, que trabalhou, estudou e divulgou o conhecimento.”

Dirigindo-se a Artur Condé, presidente do Colégio da Especialidade de ORL da OM, o presidente da SPORL mencionou que, numa época de instabilidade de fronteiras entre as especialidades, como esta, é importante o saber acumulado de quem exerce funções nos organismos da OM, de forma a conter e resolver as ameaças e pressões que de muitos lados lhes espreitam, enquanto classe profissional.

Carlos Ribeiro agraciou também a presença de Luís Maria Gil-Carcedo, presidente da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e Patologia Cervico-Facial (SEORL), Pedro Tomé, presidente da Associação Portuguesa de Otoneurologia (APO), Pedroso de Lima, professor catedrático jubilado da Universidade de Coimbra, que viria a proferir a conferência inaugural, e de José Saraiva, presidente do GRISI, não deixando de mencionar que este projeto é um excelente exemplo de intervenção social, na medida em que “o conhecimento de uns é colocado ao serviço de todos, melhorando os índices de qualidade de vida das populações e tornando mais risonho o futuro das novas gerações”.

O ponto alto no universo da comunicação científica

“A Direção da SPORL e a Comissão Científica do Congresso entendeu dar, este ano, especial destaque ao conhecimento desenvolvido em Portugal. Temos colegas com reconhecido prestígio nacional e internacional, temos equipas que desenvolvem trabalho de grande mérito”, afirmou Carlos Ribeiro, observando que o Congresso Anual da SPORL-CCF pretende ser um ponto alto no universo da comunicação científica.

Segundo indicou, a Direção da sociedade e todas as suas comissões trabalharam com especial empenho na preparação do programa científico, de modo a que os congressistas possam viver momentos de reflexão e de intensa partilha de saberes. “O conhecimento que se partilha é que ilumina o caminho dos homens”, frisou.

Fazendo referência aos convidados estrangeiros, vindos sobretudo de Espanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos da América, o presidente da SPORL disse acreditar, contudo, que “o êxito do congresso depende especialmente da participação ativa de cada congressista, apelando a todos os presentes para o fazerem.

“Este é o primeiro congresso organizado pela atual Direção. Decorre em ambiente nacional e internacional de sérias dificuldades económicas”, enfatizou, mencionado que a SPORL fez o possível para que esta situação não interfira na qualidade científica, que todos desejam muito elevada.

“Um congresso tem de ser mais do que a troca de conhecimento científico. Deve ser um momento de encontro, de conhecimento pessoal, de criação de novas amizades e de convívio com velhos amigos”, terminou.


Artur Condé, Luis Maria Gil-Carcedo, Carlos Ribeiro, Luís Cunha Ribeiro, Gabão da Veiga, Pedro Tomé e José Saraiva


É importante investir na articulação com a Medicina Geral e Familiar

Também o presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, proferiu umas palavras nesta sessão de abertura.

Ao falar um pouco da atual conjuntura económica nacional e internacional e de como a mesma se faz sentir no Serviço Nacional de Saúde, salientou a importância de se apoiar e investir na articulação com a Medicina Geral e Familiar. “Os colegas têm uma grande responsabilidade, quer na formação, quer no apoio” a estes profissionais médicos.

Sublinhando que o SNS é um património extremamente importante de todos os portugueses e que o mesmo tem capacidade de resposta para as necessidades das pessoas, não deixou, porém, de referir que “o número de fármacos prescritos em Portugal está 60% acima do dos países da OCDE”.

“Em Lisboa e Vale do Tejo, que representa 1/3 do país, gastamos 430 milhões por ano, do SNS, para medicamentos. Gastamos 130 milhões em patologia clínica, 70 milhões em Imagiologia e 37 milhões em Medicina Física e de Reabilitação”, frisou.

De seguida, Artur Condé afirmou que, neste tempo de grande dificuldade, devemos formar para utilizarmos o que realmente precisamos e não para desperdiçar.

“Se precisamos poupar e racionalizar, temos que fazer um esforço para racionalizar na formação e para sabermos efetivamente o que precisamos como médicos e o que necessitamos como país, para a assistência que queremos dar aos nossos concidadãos”, salientou, avançando que o Colégio da Especialidade está, neste momento, a trabalhar no que diz respeito à capacidade formativa, aos critérios de idoneidade, ao número de vagas necessário, à importância de grande rigor na avaliação e, posteriormente, na decisão.

ORL portuguesa e espanhola entre as melhores

Agradecendo à SPORL e ao seu presidente pelo convite, Luis Maria Gil-Carcedo, afirmou que a ORL portuguesa e espanhola são equivalentes e que, na sua vertente clínica, é praticada ao mesmo nível dos melhores países europeus ou dos EUA. “Podemos orgulhar-nos por estarmos no primeiro nível mundial.”

Além disso, também a formação, quer em Portugal, quer em Espanha, tem um nível elevado e os profissionais estão muito bem preparados. Todavia, ambos os países necessitam, de acordo com a sua opinião, de melhorar no que respeita à investigação básica.

“Estou seguro de que aprenderei muito estes dias. Já estive em alguns congressos portugueses, têm sempre muita qualidade e ambientes excelentes. Sempre aprendi muito. É para mim muito agradável estar de novo neste congresso. Muito obrigada por tudo”, terminou.

Também Pedro Tomé e José Saraiva fizeram os seus agradecimentos por estarem presentes no congresso e na sua sessão de abertura e, ainda, pela sua organização e qualidade.

O presidente do GRISI aproveitou a ocasião para falar um pouco deste projeto -- lembrando que o mesmo envolve otorrinos, pediatras, enfermeiros, terapeutas da fala e audiologistas --, e convidando a assistência a estar presente, nas jornadas que estão a organizar e que terão lugar a 20 de setembro, no hospital cuf Porto.

“SPORL alberga e divulga novos conhecimentos de ORL”

“O convite que me foi dirigido para ser presidente de honra do 61.º Congresso de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial foi um ato de amizade da Direção da SPORL e do seu presidente, o Dr. Carlos Ribeiro, aos quais muito agradeço”. Foi assim que Victor Gabão Veiga iniciou a sua intervenção, na sessão de abertura do evento. E acrescentou: “É com grande emoção e alegria que estou aqui presente. Sinto-me honrado por ser alvo de tantas amabilidades.”

A SPORL é, atualmente, indicou, a “grande cúpula” que alberga e divulga os novos conhecimentos da ORL. “Está assente em vários pilares, colegas distribuídos por todo o país, e nessa construção reside a esperança na evolução e futuro da especialidade”, observou, desenvolvendo que, para tal, é importante que tenhamos a capacidade de “saber”.

Isto é, saber transmitir conhecimentos científicos – práticos e teóricos --, ensinar, treinar e desenvolver as capacidades cirúrgicas dos mais novos, incutir o interesse por áreas de desenvolvimento geral da Ciência e da Medicina, para que possam ser aplicadas à especialidade.

Victor Gabão Veiga foi secretário-geral da SPORL, por dois anos consecutivos, logo, colaborou, organizou e participou em vários congressos, jornadas e cursos e lembrou, no decorrer desta sessão de abertura, algumas das memórias dos congressos a que assistiu.

Aproveitou ainda a ocasião para agradecer a todos os colegas com quem colaborou e conviveu nas várias entidades que trabalhou, ao longo destes últimos 40 anos.

“Só recordo, atualmente, os momentos de alegria e a presidência de honra deste congresso será um recordar para viver”, concluiu.

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