Ordem dos Enfermeiros lança este ano o Livro Branco da Enfermagem
Luís Filipe Barreira
Bastonário da Ordem dos Enfermeiros
2026 será um ano importante para a Ordem dos Enfermeiros (OE). Entre os inúmeros projetos estruturais em curso, destaca-se o lançamento do Livro Branco da Enfermagem, que tem a ambição de ser a “Bíblia da profissão”. A sua apresentação oficial está agendada para maio de 2026, durante o VII Congresso dos Enfermeiros, que decorrerá em Gondomar.
O Livro Branco da Enfermagem será um documento que sistematiza o conhecimento científico, técnico e profissional da Enfermagem e que servirá de base à formulação de propostas concretas e exequíveis para a próxima década. Estas propostas destinam-se a decisores políticos, Governo, instituições de ensino, empregadores, organizações nacionais e internacionais e, naturalmente, aos próprios enfermeiros, reforçando o seu papel na definição do futuro da profissão.
Através do Livro Branco da Enfermagem, a Ordem quer alertar para questões de empregabilidade e condições laborais, para o problema da emigração de enfermeiros, para a carência de recursos em Portugal e para as políticas de retenção de recursos humanos, numa altura em que o país estima a falta de quase 14 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde.
Estes números, que refletem a realidade da Enfermagem em Portugal, impõem uma reflexão e um debate aprofundados sobre as políticas que devem ser desenhadas a médio e longo prazo, de forma a
garantir a sustentabilidade da profissão, frequentemente descrita como a “espinha dorsal” do Sistema de Saúde.
Luís Filipe Barreira
Atualmente, a Enfermagem enfrenta desafios complexos, que atravessam diferentes níveis do Sistema de Saúde. A valorização da carreira, a melhoria das condições de trabalho, a retenção de profissionais, o desenvolvimento e a formação contínuos, bem como a adaptação às transformações demográficas, tecnológicas e organizacionais, são desafios que exigem respostas sustentadas em evidência científica e que implicam um compromisso coletivo. Sem uma abordagem estruturada e concertada, corremos o risco de perder oportunidades para fortalecer a profissão e melhorar o Sistema de Saúde.
O Livro Branco da Enfermagem, que foi também concebido para responder às necessidades no setor da Saúde, assenta num diálogo construtivo e numa colaboração alargada. A OE acredita que só com a participação ativa de todos os intervenientes do Sistema de Saúde será possível definir eixos estratégicos robustos e sustentáveis.
Os enfermeiros não podem ser meros destinatários das políticas de Saúde. A Ordem dos Enfermeiros parte do princípio que os enfermeiros devem ser protagonistas na definição das prioridades, contribuindo com
conhecimento técnico, experiência prática e visão para a melhoria contínua dos cuidados.
A OE tem esta visão. Mas é importante que se materialize em ação, com resultados duradouros, garantindo que a profissão continua a evoluir e a responder com eficácia aos desafios do presente e, sobretudo, do futuro. Porque queremos começar a construir a enfermagem do futuro. E, para isso, precisamos do apoio de todos os enfermeiros!
Nota: Este artigo de opinião foi escrito para a edição de janeiro 2026 do Jornal Médico, no âmbito da colaboração bimestral de Luís Filipe Barreira.


