Opinião

Comunicar em saúde


Catherine Pereira

Assessora de Imprensa


A comunicação e o Homem andaram, desde sempre, de mãos dadas. Se pensarmos no significado da palavra comunicar, que vem do latim “communicāre”, e que significa dividir alguma coisa com alguém, compartilhar, tornar comum, percebemos que a comunicação é um processo natural, presente em todas as áreas da nossa vida.

Vários são os tipos de comunicação existentes, sendo todos eles de extrema importância porque, independentemente da sua forma, deles advém o poder de fazer chegar ao outro uma mensagem. Os meios verbal, escrito, visual, sonoro e gestual usados na interação entre pessoas são formas de expressão inerentes a qualquer processo de socialização.

A verdade é que mesmo o silêncio, em determinadas circunstâncias da nossa vida, pode ter um poder enorme na passagem de uma informação ao outro.

Para além disso, a comunicação é única, nunca se repetindo. Por muito que queiramos reiterar uma mensagem, ela nunca é pronunciada e rececionada da mesma forma. Na verdade, há sempre algo de novo na arte de comunicar e é nesta beleza de estar sempre inacabada, da sua capacidade de transformação, que se torna maior.


Catherine Pereira

Percebemos desta forma que o processo comunicacional é intrínseco à condição humana, sendo para as organizações um meio fortíssimo de ajustar relações com os seus diferentes stakeholders (ou não fossem elas feitas de pessoas).

Na área da saúde, o seu papel torna-se basilar, não apenas porque a sua função assume especial importância pela elevada complexidade organizacional destas instituições, mas também porque, através dela, é possível a promoção de medidas que defendam uma política de literacia em saúde, assente num trabalho multidisciplinar e interinstitucional.

A comunicação aplicada à prestação de cuidados, aquela que é feita quando o profissional de saúde está a cuidar do outro – nas suas emoções, fragilidades, perdas, dores, felicidade –, deve ser respeitada e entendida como uma ferramenta poderosa e essencial para a construção da relação entre profissional de saúde e utente.

Na verdade, a prática de uma boa comunicação pode ser preponderante para uma avaliação positiva por parte do utente aquando de uma consulta, exame, ou simplesmente na receção de um posto administrativo para esclarecimento de uma informação.

A comunicação na prestação de cuidados é, efetivamente, um processo de proximidade e de gestão para com o outro. Pode ser crucial para o caminho que se segue, na medida em que poderá deixar o utente mais predisposto a aceitar a informação (quer seja positiva ou negativa) comunicada pelo profissional.

Na saúde, a comunicação deve ser encarada como mais um fator a ter em conta para a satisfação da população que serve, com potencial para ajudar o outro, utilizando-a como meio para mudanças positivas e de transformação.

Porque o corpo também agradece uma comunicação sensata... Pelo bem da nossa saúde.

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