USF D. Francisco de Almeida prepara-se para celebrar 10.º aniversário

A Just News testemunhou a inauguração oficial da USF D. Francisco de Almeida, que aconteceu dia 3 de junho de 2016, uma sexta-feira, mas desde o início dessa semana que as portas estavam abertas para receber a população que precisasse dos serviços de saúde prestados pela novíssima Unidade.

É por isso que a data do aniversário corresponderá sempre ao dia de início de atividade: 30 de maio. Dez anos depois, as instalações mantêm todo o aspeto de serem novas e… tudo parece estar a funcionar! Quanto aos profissionais, a sua atitude não permite distinguir os que ali estão desde o primeiro dia dos que chegaram posteriormente. Um total de 6 médicos, 6 enfermeiros e 4 secretários clínicos tratam da saúde de quase 11.000 utentes.



Dois assistentes operacionais ali colocados pela autarquia garantem que entre as 8h e as 20h há sempre alguém para, por exemplo, conduzir a viatura disponibilizada a tempo inteiro pelo município e que fica estacionada na garagem subterrânea, onde os 16 elementos da equipa também podem parquear os seus carros.

Embora o edifício que acolhe a USF no rés-do-chão e a Loja do Cidadão no 1.º andar (com acessos independentes) fique localizado no centro histórico de Abrantes, há uma explicação para a sua generosa dimensão, que permite a esta Unidade da ULS do Médio Tejo dispor de um amplo espaço interior – no local da construção funcionou outrora a central rodoviária da cidade.


Susana Pires da Silva

Coordenada desde março de 2020 pela médica de família Susana Pires da Silva, a USF D. Francisco de Almeida transitou oficialmente para modelo B em fevereiro de 2023 e obteve a certificação da DGS de “Nível Ótimo” em fevereiro de 2025.

Susana Pires da Silva era uma jovem interna de MGF na USF Locomotiva quando se envolveu no processo com vista à criação da USF que viria a ser batizada com o nome de D. Francisco de Almeida. “A minha intenção já era voltar para Abrantes quando me tornasse especialista, até porque a carência de médicos de família aqui era imensa”, explica.

Foi ela, aliás, que informou da existência do projeto o colega Nuno Monteiro, que estava dois anos à sua frente no internato e que conheceu na Unidade do Entroncamento. Também entrevistado no âmbito desta reportagem, aquele haveria de integrar a equipa de médicos aquando da inauguração da nova USF em Abrantes.

Quanto a Susana Pires da Silva, faz questão de esclarecer, com entusiasmo, que o seu nome já constava no documento de candidatura e que participou igualmente, por exemplo, na criação do logótipo da Unidade. No entanto, o primeiro dia de trabalho da atual coordenadora na USF D. Francisco de Almeida só aconteceu a 2 de janeiro de 2018, uma terça-feira.



E porquê? Porque o ano de 2017 passou “a correr”, com o aguardar da homologação da nota do exame final do internato, a abertura de concurso para colocação como especialista e o pedido do então ACES para que estivesse um período de três meses na UCSP Constância, com boa parte desse tempo passado na respetiva extensão de Santa Margarida. “Foi também uma experiência importante”, afirma.

Conjugaram-se então as coisas para que herdasse o ficheiro daquele que fora o seu orientador de formação no internato do Ano Comum na UCSP Abrantes (ver caixa) e que se estava a aposentar. E será que os utentes aceitaram bem a sua nova médica de família? Nova em idade, entenda-se!

“Eles reconheceram-me como alguém  que já tinha estado com o seu médico. Para além disso, o Dr. Falcão Tavares fez um trabalho de preparação para a mudança, dizendo-lhes: ‘Eu já estou na idade da reforma, vou ter que sair, mas deixo-vos bem entregues com a outra colega.’ E, portanto, essa transição foi muito suave, não houve qualquer tipo de dificuldade.”

“Quando eu comecei aqui, a equipa tinha estado à minha espera e, por isso, eu fui a 6.ª médica, com 6 enfermeiros e 4 secretários clínicos, tal como estamos hoje, embora com alguns profissionais que não são os mesmos. No final de 2019 é que vivemos uma fase complicada no trajeto desta Unidade, com uma reestruturação da equipa que foi devida à saída de vários elementos”, recorda.



No entanto, a recuperação foi rápida. Em fevereiro entra uma médica (Ângela Ferreira) e no mês seguinte uma segunda colega. Março de 2020 fica marcado pela pandemia de covid-19 e pelo início de funções de Susana Pires da Silva como coordenadora, que assume oficialmente o cargo no final da primeira quinzena do mês, “a uma semana do meu 1.º plano de contingência!”, refere, acrescentando:

“Reagimos rapidamente, mas tivemos que fazer algumas adaptações. Isto porque, apesar do excelente edifício que temos, só existe uma única sala de espera e um só corredor. Fazer circuitos separados para doentes infetados e não infetados, sobretudo pensando que nós vemos crianças e grávidas, que tinham que estar salvaguardadas, era difícil. Mas logo decidimos reservar as manhãs para os utentes mais vulneráveis e de risco e as tardes para os restantes, com a higienização entre utentes e no final do dia.”

A falta de espaço não é uma questão que se coloque nesta USF

Ao entrar na Unidade, logo após ultrapassarem a sala de espera e o balcão de atendimento, os utentes da USF D. Francisco de Almeida deparam-se com um longo corredor, sendo que do lado direito fica a equipa médica e do lado esquerdo a de enfermagem.

“Os gabinetes são fixos, pelo que os nossos utentes decoram facilmente onde estão os profissionais que os acompanham. Para além disso, há também gabinetes próprios para algumas consultas específicas, como é o caso da Saúde Infantil e do Planeamento Familiar. Existem ainda salas para realizar tratamentos, o vestiário, duas copas e uma sala de reuniões”, descreve a coordenadora.

Se a isso juntarmos dois gabinetes reservados para internos, facilmente se conclui que a falta de espaço não é uma questão que se coloque nesta USF. Mas já é um problema a falta de internos: “Neste momento, só temos um, no entanto, já tivemos quatro internos em simultâneo. Infelizmente, é esta a nova realidade, aqui no Médio Tejo e a nível nacional, que é o desinvestimento dos novos médicos na especialização, preferindo cada vez mais ficar indiferenciados. Fico sobretudo preocupada.”



E justifica: “Fico preocupada por constatar que muitos dos meus colegas consideram não ser importante terem uma diferenciação mas mais ainda quando penso na população que, por exemplo, precisa de recorrer a um serviço de Urgência e pode deparar-se com alguém que, depois de acabar a faculdade, fez apenas o internato do Ano Comum. E vemos isso no SNS mas também no privado.”

A população servida pela USF D. Francisco de Almeida é maioritariamente urbana, mas com as características próprias de uma cidade do interior e com as dimensões que Abrantes tem. E, como não podia deixar de ser, envelhecida! Os utentes de outros países são poucos pela simples razão de que as listas já estavam completas quando se registou o grande afluxo de imigrantes ao nosso país.

As últimas palavras de Susana Pires da Silva acabam por ser de elogio para a autarquia: “A transferência de competências cá em Abrantes é uma realidade que o município assumiu com todas as unidades de CSP, havendo uma proximidade muito boa. No nosso caso, a rápida resposta às solicitações já se registava quando o edifício era novo e surgia algum problema, mas ela continua a ser excecional." E dá um exemplo:

"Se a torneira do meu gabinete avariar, articulamos com o município e em menos de uma hora está cá o canalizador a resolver a situação.”



A reportagem completa pode ser lida na edição de fevereiro 2026 do Jornal Médico.

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