Urgências nos cuidados primários: formação para médicos com «debates muito intensos»

A visão “demasiado hospitalocêntrica” da formação pré-graduada em cuidados agudos levou cinco médicos internos a criar o Atualizações MGF (Medicina Geral e Familiar) em 2015, com um objetivo claro: "Criar módulos que respondam diretamente às necessidades formativas dos internos e especialistas, com atualidade e qualidade científica".

Desde então, este projeto tem promovido a realização de dois cursos sobre Urgências por ano, ações de formação que têm suscitado um grande interesse e uma adesão fora do comum: é habitual que, literalmente em menos de 5 minutos, as inscrições esgotem.

Este ano, tendo em conta a pandemia por covid-19, as formações foram adiadas de abril e maio para os meses de setembro e outubro e terão, provavelmente, um outro formato.

"Devido ao grande volume de inscrições, estamos a ultimar os pormenores para que se possa realizar online, devido ao contexto atual e de forma a manter a segurança de todos", explica Daniel Beirão, um dos coordenadores da comissão organizadora.

Ajudar a dar respostas a casos urgentes nos cuidados primários

O médico, juntamente com Marta Magalhães, foram dois dos internos que pensaram em criar estes cursos de atualização em urgências para internos e especialistas de MGF.

Apesar de o Internato já ter terminado e de serem docentes no Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde (MEDCIDS) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, decidiram dar continuidado ao projeto, precisamente por acreditarem na relevância deste projeto formativo e no seu contributo para outros colegas:

“Gostamos muito de dar formação e consideramos ser essencial apostar na atualização de conhecimentos, porque na formação pré-graduada aprendemos a dar respostas a casos urgentes com base na realidade hospitalar e não tanto dos cuidados de saúde primários (CSP).”



Daniel Beirão

Daniel Beirão, que também coordena o Departamento de MGF do Hospital da Luz Guimarães, adianta mesmo que “os médicos de família sentem uma lacuna na formação específica em cuidados agudos/urgentes”. Uma convicção reforçada pelo feedback partilhado por centenas de participantes ao longo dos anos.

Debates muito intensos com o apoio de "uma rede de colaboradores fixos"

Desde 2015, contam assim com a participação de vários colegas de diferentes especialidades hospitalares do norte a sul do país nos dois cursos. “Já criámos uma rede de colaboradores fixos, que nos dão apoio.” E o balanço não podia ser melhor ao fim destes anos. “Chegamos a abrir as inscrições e, ao fim de um minuto, já temos as vagas preenchidas.”

No total, têm sido 65 as vagas disponibilizadas, um limite de inscrições imposto pela organização, que se justifica pela intensidade do curso e pela vontade de assegurar a qualidade na transmissão de conhecimentos:

 “O nosso objetivo é começar por uma parte mais teórica, mas ter sempre casos clínicos e uma discussão que envolva participantes e formadores, para se conseguir esclarecer dúvidas. São sempre debates muito intensos, nomeadamente em Dermatologia e em Psiquiatria”.



Melhor resposta ao doente retira pressão da urgência hospitalar

Como médico de MGF, Daniel Beirão recebe os mais variados casos agudos, para os quais é preciso dar uma resposta. “Estando a par das últimas guidelines e relembrando alguns conceitos e práticas, o médico de família consegue dar uma resposta mais concreta ao doente, retirando assim da urgência hospitalar aqueles a quem seriam atribuídas pulseiras verdes.”

Continuando: “Além disso, quando se resolve o problema nos CSP, temos a vantagem de poder marcar consulta e avaliar o doente ao fim de dois ou três dias.”


Daniel Beirão e Marta Magalhães


O especialista realça que, com estes cursos, reforça-se o diagnóstico diferencial. “Nos CSP não temos um TAC ou um raios-X ao fundo do corredor, o que nos obriga a apostar na semiologia. Os meios complementares de diagnóstico são importantes, mas não devem descurar uma boa anamnese e semiologia.”

Os próximos cursos sobre Urgências decorrem entre os dias 24 e 26 de setembro e entre 29 e 31 de outubro, contando com o apoio da Ordem dos Médicos.

É ainda com evidente entusiasmo que Daniel Beirão adianta que, "após vários pedidos de formandos", o Atualizações MGF irá realizar, pela primeira vez, uma terceira ação de formação, que decorrerá em novembro e dedicada a um novo tema: a Saúde Mental. A depressão, a ansiedade, as perturbações psicóticas, o suicídio, a sexologia, a psicofarmacologia e terapêutica serão alguns dos temas a abordar.

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