Tratamento de Feridas: Paulo Ramos eleito para o Conselho da European Wound Management Association

“É uma necessidade premente criarem-se centros de excelência em feridas complexas em Portugal, à semelhança da maioria dos países europeus.” Quem o defende é Paulo Ramos, enfermeiro na USF Corino de Andrade e vice-presidente da APTFeridas, que foi eleito, esta semana, membro do Conselho da EWMA - European Wound Management Association para o triénio 2020-2022.

Para Paulo Ramos, “o tratamento das feridas, em Portugal, está um pouco disperso”, fazendo com que “os doentes andem um pouco perdidos no sistema, podendo comprometer a sua recuperação”. A solução está na criação de centros de excelência. “Na maioria dos países europeus há centros de prevenção e tratamento da ferida mais complexa, nos quais se tem acesso a uma equipa multidisciplinar, que dá a resposta mais adequada aos doentes”.


Desta forma evitar-se-ia “a dispersão” dos mesmos. “As feridas são tratadas nas nossas unidades de saúde, e temos profissionais com boa formação, mas a equipa de Saúde Familiar não tem como encaminhar as situações mais complexas.”


A necessidade de se organizarem estes centros de referência, com uma resposta diferenciada, torna-se ainda mais relevante perante as mudanças demográficas. “A população está cada vez mais envelhecida, com comorbilidades de difícil controlo, por isso é mais que nunca importante apostar nesta área. Quem já tem determinado tipo de patologias vai ter, inevitavelmente, maior dificuldade na cicatrização de uma ferida.”


Paulo Ramos

Quanto ao papel dos enfermeiros nesta área, Paulo Ramos considera que são cada vez mais solicitados. “Existe um maior reconhecimento do nosso papel interpares e mesmo a nível interprofissional, pedindo-se apoio a quem se sabe ter experiência.”


Como acrescenta: “O enfermeiro com formação pós-graduada em feridas tem cada vez mais um papel pivô nas equipas multidisciplinares, sendo muitas vezes quem faz a articulação com os restantes elementos da equipa. Temos uma noção global do que se passa com o doente.”

Relativamente ao novo desafio, acredita que a representação além-fronteiras, através da APTFeridas, vai ser “uma mais-valia quer em termos de reforço da formação dos enfermeiros portugueses, como pela possibilidade de se dar mais voz ao que se faz no país”.

Paulo Ramos vai encontrar na EWMA outro português: Alexandra Marques (investigadora principal no I3Bs - Universidade do Minho), que já integrava este órgão a nível individual, na Comissão Executiva.

“Um enorme orgulho para a APTFeridas"

Licenciado pela Escola Superior de Enfermagem de S. João e com Mestrado em “Feridas e Viabilidade Tecidular” pela Universidade Católica do Porto, Paulo Ramos trabalha, atualmente, na USF Corino de Andrade, ACES Grande Porto IV - Póvoa do Varzim / Vila do Conde.




Iniciou a sua atividade no Hospital de S. João, onde se interessou pela área das feridas, tendo sido formador nos Cuidados Intensivos Neurocríticos. Posteriormente passou pela USF S. Bento, ACES Gondomar, antes de integrar a USF Corino Andrade.

Dinamizador do primeiro estudo epidemiológico de feridas do ACES, é formador da ARS Norte e membro do grupo de trabalho de normalização dos registos de feridas e docente convidado da Universidade Católica na área das dermatites associadas à incontinência e diagnóstico diferencial. Faz ainda parte do comité científico de elaboração da norma de prevenção e tratamento de úlceras por pressão em idade pediátrica no adulto e idoso da Direção-Geral da Saúde.

Além de todas as responsabilidade como enfermeiro e formador, é vice-presidente da APTFeridas.


Paulo Ramos e Paulo Alves durante o último Congresso da APTFeridas, junto com a enfermeira Anabela Moura, presidente da Comissão Organizadora

Para o presidente da associação, o enfermeiro Paulo Alves, a eleição de Paulo Ramos é “um enorme orgulho” e  acrescenta: “A APTFeridas reconhece-lhe o mérito e agradece toda a sua dedicação ao serviço da mesma, desejando o maior sucesso para esta sua colaboração internacional.”

Paulo Alves realça ainda que "esta é mais uma via de se captar para Portugal reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento nesta área”.




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