Tratamento da hipertensão pulmonar no HPV: 5 anos a «capacitar o indivíduo para o autocuidado»

Ao longo dos últimos 5 anos, a equipa de enfermagem do Centro de Ambulatório II - Hospital Pulido Valente tem dado "um apoio imprescindível" ao funcionamento do Centro de Tratamento de Hipertensão Arterial Pulmonar (CTHAP) do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN).

Este Centro de Referência, coordenado pelo médico Nuno Lousada, tem consultas médicas e de enfermagem 4 dias por semana, das 8h às 16h, estando a celebrar em 2020 o seu 5.º aniversário de atividade.

Esta valência do Hospital Pulido Valente é formada por "uma equipa multidisciplinar diferenciada e experiente, com meios complementares de diagnóstico, fármacos e equipamento que permitem fazer o diagnóstico/tratamento/reabilitação dos doentes com hipertensão pulmonar". A explicação é dada por Manuela Henriques,  enfermeira gestora do Centro de Ambulatório II.


Manuela Henriques

"Excelente articulação da equipa multidisciplinar"

Na sua opinião, não há qualquer dúvida de que  “existe uma excelente articulação entre todos os elementos da equipa multidisciplinar”, sendo esse um dos elementos chave para os bons resultados apresentados e a evolução deste centro de excelência, que resultou da fusão das duas consultas de hipertensão pulmonar que existiam, uma em Santa Maria e a outra no HPV.

Uma evolução que tem contado, "desde o primeiro instante, com o empenhamento, a dedicação e a motivação da equipa de enfermagem", visível, desde logo, pelo número de consultas de enfermagem, "que tem aumentado significativamente", explica Manuela Henriques. Se em 2015 foi de 751 consultas de HP-Cardiologia e 61 de HP-Pneumologia, já em 2019 realizaram-se 1485 consultas de HP-Cardiologia e 526 de HP-Pneumologia.

Manuela Henriques faz questão de sublinhar que a equipa de enfermagem da Consulta de HP também apoia as restantes valências existentes no Centro Ambulatório II, "o que lhe confere conhecimentos técnicos e científicos que constituem uma mais-valia para orientação e realização de ensinos a estes doentes, que na maioria das situações, para além da HP, são portadores de outras patologias".


A equipa de enfermagem do Centro de Tratamento de Hipertensão Arterial Pulmonar (fotografada no final de janeiro de 2020): (atrás) Carla Sá, Elisabete Tomé, Noémia Melo, Alexandra Rei e Laura Santos; (à frente) Andreia Bernardo, Maria Manuela Henriques e Tânia Cardoso

"Avaliação holística do doente/família"

De acordo com a enfermeira gestora do CTHAP, "a intervenção da equipa de enfermagem passa por uma avaliação holística do doente/família, com o objetivo de identificar necessidades e de capacitar o indivíduo para o autocuidado, enfatizando a importância da adesão terapêutica e promovendo o ensino de estratégias que permitam ao doente realizar as suas atividades de vida diária com um menor dispêndio de energia."

Neste sentido, é elaborado um plano de cuidados, em parceria com o doente/família, "objetivando a melhoria da qualidade de vida da pessoa. Nesta consulta, por vezes, são identificadas necessidades que carecem do encaminhamento do doente para outros profissionais da equipa multidisciplinar."


Hospital Pulido Valente

”Sorrir, Respirar e Educar”

A par da Consulta de Enfermagem de HP, em junho de 2016 foi implementado o projeto ”Sorrir, Respirar e Educar”, iniciando-se, com uma especialista em Enfermagem de Reabilitação, sessões de reeducação funcional respiratória, 2 vezes/semana, aos doentes integrados no projeto.

Tânia Cardoso foi a responsável pela elaboração e implementação deste projeto, que "tem a finalidade de otimizar a capacidade respiratória e física dos doentes, proporcionando-lhes uma maior autonomia, uma diminuição da sintomatologia e, consequentemente, uma melhoria da sua qualidade de vida".



Assegurado por si e pelas outras duas Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EER) que fazem parte da equipa, Noémia Melo e Laura Santos, o programa inclui a realização de sessões de reeducação funcional respiratória (RFR), algo particularmente relevante:

"A Hipertensão Pulmonar condiciona a capacidade das pessoas para a atividade de autocuidado, sendo este um dos focos da intervenção do EER. A intervenção junto do doente com HP é fundamental para o capacitar a realizar RFR de forma autónoma, quer nas sessões semanais no hospital, quer no domicílio."

Tânia Cardoso acrescenta ainda que, deste modo, "o EER tem um papel crucial para capacitar o utente com doença crónica a adaptar-se à situação de incapacidade, na gestão da sua doença, maximizando o seu potencial funcional e independência nas atividades de vida, tendo em conta as suas capacidades, os recursos disponíveis e os seus objetivos".

"Fazemos a ponte entre o doente/médico/equipa multidisciplinar"

Além das consultas de enfermagem presenciais, Manuela Henriques chama a atenção que existe "todo um trabalho complementar" que tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos anos. Desde logo, o atendimento não presencial:

"A equipa é contactada telefonicamente pelos doentes que se encontram no domicílio e que necessitam de esclarecimentos para otimização terapêutica ou para gestão de sintomas, sendo que é a enfermeira que estabelece a ponte entre o doente/médico/equipa multidisciplinar, transmitindo posteriormente ao doente as orientações discutidas em equipa."

Trata-se de uma intervenção que permite a resolução de problemas, sem ser necessária a deslocação ao hospital, "sendo esta a forma de facilitar a acessibilidade do doente".

Por outro lado, é prestado um acompanhamento das equipas de enfermagem dos serviços onde estejam internados doentes com HP, "com o objetivo de esclarecer dúvidas relacionadas com os fármacos ou equipamento específico para o seu tratamento".



Andreia Bernardo (coordenadora da Consulta de Enfermagem de Hipertensão Pulmonar, Tânia Cardoso e Manuela Henriques

"Uma relação de ajuda com os doentes e seus familiares"

De forma a manter o nível de excelência pretendido nos cuidados prestados, Manuela Henriques esclarece que a equipa de enfermagem deste Centro de Tratamento está igualmente "em constante atualização, através da autoformação, da participação em congressos, a nível nacional e europeu, em ensaios clínicos e com os seus elementos intervindo como preletores em eventos relacionados com a temática".
 
Em jeito de balanço, conclui: "Como enfermeira gestora deste Centro de Referência, considero que o percurso da nossa atividade ao longo destes 5 anos é muito positivo e gratificante. Procuramos promover a qualidade do atendimento através da prestação de cuidados personalizados, tendo como princípio estabelecer uma relação de ajuda com os doentes e seus familiares."

E deixa uma garantia: "Temos o empenhamento, a dedicação e a motivação da equipa de enfermagem na constante procura da Excelência do Cuidar”.




Na edição de maio/agosto de 2020 da revista Coração e Vasos são publicados vários artigos sobre o papel da Enfermagem no CTHAP.

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