«Também se trabalha bem nos hospitais distritais»

Num quarto de século, é a segunda vez que cabe a Aveiro organizar a Reunião Nacional do Núcleo de Medicina Interna dos Hospitais Distritais, que decorrerá nos dias 9 e 10 de novembro. O tema central é "A Medicina Interna e os canais que nos ligam", reportando-se, sobretudo, às ligações da Medicina Interna à Medicina Geral e Familiar e a outras especialidades.

O evento fica claramente marcado pela comemoração do 25.º aniversário do NMIHD, pelo que, no decorrer da Reunião, terá lugar um "Aveiro de Honra" e uma conferência que contará com a participação de sócios fundadores do Núcleo, "que irão lembrar como tudo aconteceu". A explicação é dada por Beatriz Pinheiro, presidente do evento e responsável pela Medicina I, que integra o Serviço de Medicina Interna, do Centro Hospitalar Baixo Vouga.

"Também se trabalha bem nos hospitais distritais"

Em entrevista à Just News, a especialista lembra que o Núcleo é constituído por um grupo de médicos que, em outubro de 1993, iniciaram em Portalegre esta Reunião "com o objetivo de incentivar a colaboração científica, clínica e de investigação entre os vários hospitais distritais do Serviço Nacional de Saúde". 



“Hoje em dia, é fácil comunicar, mas, há 25 anos, havia maiores dificuldades e era necessário trocarmos ideias com outros colegas que estavam noutros hospitais para defender boas práticas e nos mantermos atualizados”, refere, salientando que, "atualmente, o cariz da reunião é mais científico e de gestão e organização hospitalar".

“Montar a Reunião não é fácil, mas contamos com um grupo de colegas que têm imensa energia, particularmente os internos, dos quais temos muito orgulho. Porque os mais novos serão os mais velhos dos tempos que vêm e que terão de continuar com a organização do evento, pois, não queremos que termine, pelo menos para recordar que também se trabalha bem nos hospitais distritais.”


Elementos da Comissão Organizadora da 25.ª Reunião Nacional do NMIHD

“Num hospital distrital, estamos mais próximos quer dos gestores, quer dos utentes. Todos têm um nome porque o número de profissionais é menor do que nos hospitais centrais”, salienta Beatriz Pinheiro.

Discutir temas que preocupam os internistas

Tal como nos anos anteriores, “selecionou-se um conjunto de  temas que preocupam, neste momento, os internistas, quer aqueles que desenvolvem atividade nos hospitais centrais, quer em hospitais distritais”.

O evento arranca com a apresentação de comunicações orais/posters, seguido da conferência "O microbioma da Enfermaria de Medicina Interna e os microorganismos multirresistentes: novos antibióticos ou novas atitudes?".

De acordo com Beatriz Pinheiro, “os micro-organismos estão cada vez menos sensíveis e mais resistentes e inteligentes e, como tal, temos de utilizar os antibióticos de uma forma muito racional para evitar a propagação das multirresistências e infeções”.



Outra das temáticas é “A Medicina Interna como epicentro de tratamento de síndromes”. Sobre este assunto, a médica faz questão de recordar que a MI é a especialidade generalista dos hospitais, ou seja, "toca nos doentes de todas as outras especialidades". “A função do internista é ver o doente de uma forma global”, refere, desenvolvendo que, dentro deste tópico, falar-se-á sobre três síndromes – cardiorrenal, hepatorrenal e da fragilidade.

Fazendo jus ao lema da reunião, uma das mesas redondas é dedicada à "rede de canais" que ligam a MI aos diferentes cuidados de saúde na área da diabetes.  

“A diabetes  é uma patologia crónica que atinge mais de 50% dos doentes vistos pela Medicina Interna. Apresentam polipatologia e também são diabéticos”, destaca, desenvolvendo que vão ser abordados os canais que ligam a MI à MGF, bem como à Cirurgia, "que assume particular importância no pé diabético", e à Nefrologia. Os participantes são oriundos de várias entidades: Centro Hospitalar Tondela-Viseu, USF Beira Ria, ULS Castelo Branco e Centro Hospitalar do Médio Tejo.  



Irá falar-se, igualmente, sobre insuficiência cardíaca e as novas abordagens terapêuticas que existem para tratar o problema. Segundo Beatriz Pinheiro, a IC tem uma prevalência elevada, nomeadamente na população que é seguida pela MI, que é mais idosa.

Numa sessão centrada no tema “Quando as guidelines não chegam, é o médico que decide”, serão focadas temáticas relevantes da prática clínica do dia-a-dia do internista, nomeadamente a hipocoagulação no doente frágil, a decisão de não reanimar e o “primum non nocere” (uma das máximas do Juramento de Hipócrates).

“São temas que não estão protocolizados, onde, muitas vezes, é o bom senso, o conhecimento e a discussão em grupo que devem prevalecer na decisão de alguns pontos tão importantes dos nossos doentes”, comenta a médica.

O programa completo, que inclui a realização de cinco cursos nos dois dias anteriores à Reunião, pode ser consultado aqui.
Contacto: reuniaonacional.nmihd@gmail.com 




A notícia pode ser lida no Hospital Público de novembro.

Distribuído em todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, o jornal Hospital Público promove uma partilha transversal de boas práticas e de iniciativas desenvolvidas por profissionais dos hospitais públicos. Distingue-se pelo conteúdo extremamente rico, pelo conceito inovador e pelo excecional alcance.

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