«Ser médico é ter gosto pela vida»: Última lição de José Martinez de Oliveira

Após uma vida dedicada ao ensino da Medicina e aos cuidados de saúde na área da Ginecologia e Obstetrícia, José Martinez de Oliveira, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade da Beira Interior (FCS-UBI), encerrou uma etapa, tendo proferido a sua última lição, intitulada “Divagando sobre… Vidas”.

A sessão teve lugar no Grande Auditório da FCS-UBI, que esteve repleto de familiares, colegas e amigos do médico e do docente, tendo a iniciativa contado com as intervenções de Miguel Castelo-Branco, presidente da Faculdade de Ciências da Saúde, e António Fidalgo, reitor da UBI.



Durante aquela que foi a primeira lição de jubilação de um docente da FCS, José Martinez de Oliveira, conhecido por ser um “amante da vida”, divagou sobre vários temas que têm merecido a sua reflexão, como o uso da palavra, a felicidade ou "a importância de não desperdiçar tempo".

“Ser médico é ter gosto pela vida, mesmo quando estamos a ajudar alguém a deixar de a ter. É a apreciação de que a vida é algo único, pessoal, que não é partilhável, mas, sobretudo, acompanhável. Podemos vive-la em conjunto, mas cada um tem uma única vida”, disse. E prosseguiu:

“A Medicina é um conjunto de princípios, de conhecimentos que se aplicam em fazer a saúde. Não é simplesmente a prática, nem uma única profissão, mas uma maneira de estar na vida. É a obrigação de promover a vida, de a tentar melhorar, de a defender, sem a ofender.”

O médico, que é natural de Vieira do Minho, distrito de Viana do Castelo, partilhou com os presentes a sua fórmula “matemática” da felicidade: “o grau de felicidade que cada um de nós tem resulta do somatório dos momentos felizes (quando nos sentimos bem), ao contrário dos momentos  infelizes (aqueles em que nos sentimos mal), sendo o inverso do tempo desperdiçado (quando andamos tão ocupados que nem nos sentimos felizes nem infelizes)”.


José Martinez de Oliveira

José Martinez de Oliveira nasceu a 12 de fevereiro de 1949. Licenciou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em 1974, tendo concluído a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia no Hospital de São João, em 1983.

Iniciou as suas funções na FCS-UBI em outubro de 2004, como professor associado com agregação, no início do curso de Medicina da UBI, depois de um longo percurso na FMUP como docente e investigador, que teve início em 1977.  Em agosto de 2006 tornou-se professor catedrático daquela Universidade. Enquanto investigador, integra o Centro de Investigação em Ciências da Saúde da UBI.

É presidente da Comissão de Ética da UBI e da Comissão Instaladora do museu "Memórias da Saúde" da FCS-UBI e perito externo do Conselho Médico Legal.

Na área clínica, percorreu os vários patamares da carreira de um ginecologista e obstetra, tendo sido, até há pouco tempo, diretor do Departamento de Saúde da Criança e da Mulher do CHCB.


José Martinez de Oliveira com outras grandes figuras da Ginecologia portuguesa: Fernanda Águas, Teresa Osório e Daniel Pereira da Silva

Entre outros cargos, foi presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, tendo cumprido dois mandatos (2006-2009 e 2010-2012), vice-presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (2006-2012) e está, desde há vários anos, ligado à International Society for the Study of Vulvovaginal Disease (ISSVD), da qual foi igualmente presidente.

Uma “personalidade de topo” da FCS e da UBI

“Verdadeiro mestre, humanista e homem da cultura.” Foram estas as palavras escolhidas pelo reitor da Universidade da Beira Interior para caracterizar José Martinez de Oliveira. Segundo referiu, o médico tonou-se, ao longo do tempo, “uma personalidade de topo da FCS e da UBI e a sua atuação foi marcante nos mais diversos domínios da atividade docente, da investigação e vertente clínica, nos quais alcançou o apreço e respeito dos seus pares, na Universidade e na comunidade em geral”.

Em seu nome pessoal e da Universidade, António Carreto Fidalgo agradeceu a “notável” contribuição do médico, com a qual espera poder continuar a contar, não só porque, conforme referiu, “a sua opinião é sempre um exercício de inteligência”, mas porque “os verdadeiros mestres ensinam até ao final da vida”.


Miguel Castelo-Branco, António Carreto Fidalgo e José Martinez de Oliveira

Contributo para a região

O presidente da Faculdade de Ciências da Saúde destacou o papel que José Martinez de Oliveira teve na organização da área da Ginecologia e Obstetrícia, tendo dado um passo importante na inovação do curso de Medicina da Faculdade.



Miguel Castelo-Branco frisou também o contributo que o professor catedrático agora jubilado trouxe para a região com a capacitação do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do CHCB como “serviço operacional” e a criação da Unidade de Medicina da Reprodução, integrada no Departamento da Saúde da Criança e da Mulher, estrutura que dirigiu até há pouco tempo.

“A região está muito agradecida pelo papel que teve nesta área, porque foi na realidade muito importante na parte assistencial, como já estava a ser na parte do ensino”, acrescentou.


José Martinez de Oliveira com as várias gerações de familiares presentes na conclusão de uma etapa da vida do médico e docente

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