Consulta de Enfermagem em Reumatologia no CHUC «em processo de aprovação»

Para o diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), José António Pereira da Silva, “a equipa de enfermagem deve ser parte ativa e proativa de todas as atividades do Serviço, incluindo os ensaios e a investigação clínica”. 

Nesse sentido, e acreditando que “só é possível competir com os melhores com investigadores a tempo inteiro”, o Serviço recrutou, nos últimos tempos, três “brilhantes enfermeiros" para se dedicarem a esta área – dois a tempo inteiro (um atualmente em licença de vencimento por estar a efetuar o doutoramento) e um a tempo parcelar.

Ricardo Ferreira, Andréa Marques e Eduardo Santos constituem a equipa de enfermagem da Consulta Externa, mas uma grande parte do trabalho que desenvolvem está vocacionado para a investigação.

Atuam na gestão dos ensaios clínicos promovidos pelas farmacêuticas para testar novos medicamentos e na investigação promovida pelo Serviço. Uma investigação que está especialmente focada nos chamados Patient Reported Outcomes na relação entre atividade da doença, dimensões psicossociais e qualidade de vida.

"Objetivo de desenvolver enfermagem reumatológica"

Um facto curioso é que Andréa Marques, de 31 anos, doutorou-se recentemente no Serviço na área da osteoporose e os enfermeiros Ricardo Ferreira, 37 anos, e Eduardo Santos, de 31, estão a trabalhar nas suas teses, ambas na área da artrite reumatoide (o primeiro termina em agosto de 2019 e o segundo em 2020).

Não é comum haver num hospital enfermeiros em processo de doutoramento. Isto acontece porque, conforme salienta Andréa Marques, "o Serviço investe não só na investigação, mas também na Enfermagem".


Andréa Marques e José António Pereira da Silva

Andréa Marques é o elemento mais antigo de Enfermagem da Consulta Externa, que integrou em janeiro de 2010. “Quando o Prof. José António Pereira da Silva me convidou, foi precisamente com o objetivo de desenvolver enfermagem reumatológica, que não existe em Portugal. Fui a Inglaterra tirar uma pós-graduação e o mestrado”, conta.

O enfermeiro Ricardo Ferreira chegou ao Serviço depois de ter participado num curso de investigação clínica ministrado pela Universidade de Harvard, onde estiveram vários elementos da equipa. Na altura, desenvolvia atividade na Cirurgia Vascular. Quando lhe foi feita a proposta para mudar para a Reumatologia, em setembro de 2011, o profissional não hesitou. “Sempre gostei de investigação”, garante.

Quanto a Eduardo Santos, que atualmente está a desenvolver o doutoramento em part-time, chegou ao Serviço em novembro de 2017, por indicação de Ricardo Ferreira, que sabia do seu gosto pela investigação.

Criação de Consulta de Enfermagem em Reumatologia

Encontra-se neste momento "em processo de aprovação pela Administração do Hospital a criação de uma Consulta de Enfermagem em Reumatologia". De acordo com o diretor do Serviço, ela será dinamizada pelo enfermeiro Ricardo Ferreira, atualmente a terminar o seu doutoramento.

Permitirá, por um lado, reduzir a carga de trabalho mais básico que os médicos fazem e, por outro, aumentar o contributo do Serviço para a educação do doente, arma tão importante quanto negligenciada da intervenção terapêutica.

“Os médicos têm pouco tempo para dedicar à educação do doente sobre a sua doença e para o tornar um parceiro na gestão da sua condição, como deveria ser”, aponta o diretor do Serviço, frisando que em todo o mundo desenvolvido os enfermeiros são “uma parte substancial desse esforço”.


Andrea Marques e Ricardo Ferreira, durante o 1.º Workshop da UCF.RC - Unidade Coordenadora Funcional de Reumatologia do Centro, uma unidade pioneira em Portugal

Realizar "um ensino mais alargado" e atingir outros objetivos

Ricardo Ferreira explica que esta consulta pretende focar-se inicialmente "sobretudo nas principais doenças inflamatórias crónicas – a artrite reumatoide, a artrite psoriática e a espondilite anquilosante". Ainda se está a delinear a possibilidade de incluir uma outra doença: "Apesar de não ser muito prevalente, tem um grande impacto nas pessoas, a esclerose sistémica."

“A ideia é que quando o doente recebe o diagnóstico seja encaminhado para essa consulta de enfermagem, após ou antes a consulta médica, para uma primeira sessão de informação sobre a doença”, indica o enfermeiro.

Após o diagnóstico "é instituída uma terapêutica mais diferenciada (medicamentos modificadores da doença reumática), o que requer também algum conhecimento por parte do doente, nomeadamente sobre os riscos, com destaque para a infeção".


Ricardo Ferreira e Andréa Marques

Nesta consulta é intenção, ainda, "fazer-se um ensino mais alargado sobre os medicamentos biológicos", explica Ricardo Ferreira. Atualmente, o que existe é uma sessão de ensino no hospital de dia sobre o tema, incluindo autoadministração.

Pretende-se, igualmente, atingir outros objetivos, "como a redução do risco cardiovascular, a principal causa de mortalidade nos doentes com doença inflamatória crónica".

Gerir a ligação com o médico de família, cardiologista e reumatologista

Ainda quanto ao potencial alcance da Consulta de Enfermagem, Ricardo Ferreira refere outro prisma: “Internacionalmente, reconhece-se que, sendo seguido na Reumatologia, o doente não vai com tanta regularidade aos cuidados de saúde primários, uma vez que vai ao hospital com frequência e espera resolver com o reumatologista os seus problemas de outras áreas (hipertensão arterial, dislipidemias, etc.)."

Desta forma, sublinha a relevância desta futura valência e do papel desempenhado pela Enfermagem. “Julgamos que poderá ser uma forma de, por um lado, avaliar o risco cardiovascular e dar orientações sobre como reduzi-lo e, ao mesmo tempo, o enfermeiro gerir a ligação com o médico de família, com o cardiologista e com o reumatologista, ou seja, assegurar-se que aquele problema não escapa à atenção dos médicos.”



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