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«Não podemos esquecer o impacto de um AVC na sexualidade do doente»

Abordar as consequências, em termos de sexualidade, na qualidade de vida de um doente vítima de acidente vascular cerebral (AVC) é um dos temas que a internista Luísa Fonseca destaca, a propósito do 23.º Congresso do NEDVC, que se realiza no final desta semana no Porto.

A médica do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), que coordena o Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), admite que os profissionais que lidam com estes casos têm tendência para “menosprezar este aspeto tão importante da sexualidade”. Para além de que “os próprios doentes também acabam por assumir a postura de não quererem saber e, muitas vezes, têm preconceito de abordar o problema”.


Luísa Fonseca

"Temos doentes de todas as faixas etárias vítimas de AVC"

Neste Congresso, que decorrerá preferencialmente em forma presencial -- embora sendo também possível assistir online --, entre os dias 24 e 26 de novembro, serão discutidas as temáticas mais relevantes nesta área, destacando Luísa Fonseca a mesa que aborda a importância da interligação com os cuidados pré-hospitalares, de modo a termos uma resposta rápida e eficaz na orientação do doente com AVC.

A coordenadora do NEDVC defende que, ao falar-se da reabilitação de um doente com AVC, “não devemos ficar apenas pela abordagem do défice motor, ou da alteração da linguagem, que são os temas habitualmente abordados”. No seu entender, “é muito importante não esquecer a área da sexualidade, até porque temos doentes de todas as faixas etárias vítimas de AVC”.

“É preciso perceber se a alteração ao nível da sexualidade tem que ver com modificações orgânicas originadas pelo AVC, ou se estamos, por exemplo, perante uma síndrome depressiva”, refere Luísa Fonseca. Na abordagem deste problema, deve ser solicitada a colaboração da Urologia, da Ginecologia ou da Psiquiatria, para além do envolvimento da Medicina Física e de Reabilitação.

A importância de formação nesta área: doentes requerem "abordagem específica"

Tendo ultrapassado o meio milhar de participantes na sua edição de 2021, é expectável que o Congresso do NEDVC tenha uma elevada participação, englobando médicos de várias especialidades, como internistas, neurologistas, neurorradiologistas, cirurgiões vasculares, fisiatras e médicos de Medicina Geral e Familiar, mas também enfermeiros e técnicos dedicados a esta área específica.



A existência de um núcleo dedicado ao AVC no seio da SPMI “justifica-se plenamente”, segundo Luísa Fonseca, uma vez que “estes doentes têm uma abordagem específica, em especial na fase aguda, no Serviço de Urgência. De facto, na maioria dos hospitais, são os especialistas de Medicina Interna que fazem a avaliação inicial e tratam estes doentes. Torna-se, desta forma, determinante a possibilidade de “disponibilizar formação e atualização nesta área a todos os colegas que dela carecem”.

Coordenadora do NEDVC desde maio de 2018, Luísa Fonseca iniciou em 2022 mais um mandato de três anos à frente deste grupo de trabalho, acumulando esta tarefa com a coordenação da Unidade de AVC do CHUSJ. 

O programa do 23.º Congresso do NEDVC pode ser consultado aqui.

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