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Medicina Intensiva do CHUC: «O nosso Serviço constitui-se como âncora da doação de órgãos»

“A região Centro é líder nacional na doação de órgãos e o CHUC é o principal dador no país”, avança Paulo Martins, diretor do Serviço de Medicina Intensiva e membro da Comissão Organizadora das Jornadas Nacionais de Doação de Órgãos. O evento, que trará à discussão temas como a doação em paragem circulatória controlada, está marcado para 20 de janeiro, em Coimbra.

“Hoje, as pessoas morrem muito mais tarde, o que leva a que haja muito mais gente a ter insuficiências orgânicas, sejam renais, hepáticas ou de outra ordem. Acontece que o discreto aumento da doação de órgãos não acompanha a crescente necessidade que se tem verificado, o que tem resultado numa contínua escassez de órgãos”, começa por referir Paulo Martins.


Paulo Martins

Por outro lado, defende que “é preciso que haja uma proatividade nas equipas para que o potencial que cada instituição tem para doar órgãos seja aproveitado”, notando que, “no CHUC, haverá uma organização diferente, pois dela faz parte, desde a primeira hora, o intensivista, atuando na sala de emergência, acompanhando potenciais dadores e intervindo no processo”.

No fundo, “a maioria dos doentes com potencial de doação são aqueles que estão em morte cerebral, processo no qual o intensivista participa ou coparticipa com serviços como a Neurologia ou a Neurocirurgia, num primeiro contacto”. Daí considerar “fundamental que o especialista em Medicina Intensiva esteja envolvido nessa cadeia e que o próprio coordenador hospitalar de doação, que tem o papel de sensibilizar os serviços para a doação, seja um intensivista”, como acontece no CH onde trabalha.

O diretor do Serviço avança que, em 2021, o CHUC iniciou a colheita de órgãos em dadores que estivessem em paragem circulatória. “Apesar de estes casos serem uma minoria, complementam o potencial de dadores que se encontram em morte cerebral”, observa.

Ainda que haja uma “necessidade crescente de órgãos, de forma transversal”, identifica os doentes com insuficiência renal terminal em diálise como “o grupo com maior expressividade, em que se verifica grande carência”.


Paulo Martins

Doação em paragem circulatória controlada: sim ou não?


A escassez de órgãos, a doação em paragem circulatória e em paragem circulatória controlada serão alguns dos temas em discussão, nestas Jornadas, organizadas pelo Serviço de Medicina Intensiva e pelo Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação do CHUC.

Paulo Martins enfatiza a importância desta última temática, que será abordada tanto numa conferência como numa mesa redonda, pelo facto de a sua implementação estar dependente da alteração da lei.

“Neste momento, a lei permite a colheita em dadores em paragem circulatória não controlada e gostaríamos que evoluísse também para dadores enquadrados na classe de Maastricht III, isto é, aqueles que são portadores de doença de evolução irreversível, a aguardar paragem cardíaca. Na realidade, temos frequentemente este tipo de doentes internados nos serviços de Medicina Intensiva, que irremediavelmente irão morrer. Se suspendermos as manobras de suporte de órgão, com a devida autorização do próprio ou da família, o coração para”, expõe.

Este avanço seria uma “mais-valia, na medida em que a quantidade e, sobretudo, a qualidade dos órgãos seriam consideravelmente melhores do que aqueles colhidos em paragem circulatória não controlada, pois estes doentes não seriam sujeitos a manobras de reanimação nem a um período de estabilização até os órgãos poderem ser transplantados”.

Este é um processo que já se realiza há vários anos na generalidade nos países europeus, nos Estados Unidos da América e ainda nalguns países do hemisfério sul, como a Austrália e a Nova Zelândia, e que tem vindo a ser discutido com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação.


Comissão Organizadora: Paulo Martins com Andrea Salgueiro (diretora do Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação do CHUC) e João Paulo Almeida e Sousa (primeiro coordenador hospitalar de doação do CHUC e antigo presidente do IPST). Ausente da foto: Eduardo Sousa (coordenador hospitalar de doação do CHUC)

Trabalho em rede permite otimização da transplantação

O intensivista valoriza a importância do trabalho em rede, que permite “o trânsito de doentes e, por vezes, de órgãos”. Tal possibilita que “os órgãos sejam tipados e colhidos, procurando-se na pool de candidatos a transplante aquele mais compatível, podendo ser transplantados noutros hospitais nacionais e internacionais, caso as instituições não tenham capacidade de reposta”.

O facto de existir apenas um CH a nível nacional a fazer transplantação pulmonar leva a que muitos doentes portugueses com insuficiência respiratória sejam transplantados em Espanha com órgãos provenientes de Portugal. “O intuito é sempre não perder órgãos”, salienta.

Andrea Salgueiro, intensivista e diretora do Gabinete Coordenador de Colheita e Transplantação do CHUC, destaca a importância de “reunir a comunidade científica à volta do tema da doação, pois só se todos estiverem atualizados e trabalharem em sintonia é que conseguimos alavancar esta atividade, aumentando o número de dadores e melhorando a qualidade dos órgãos para transplante”.

O evento está agendado para dia 20 de janeiro e é aberto a profissionais de saúde e estudantes de Medicina. No dia anterior, decorrerá, no Auditório do Hospital Geral do CHUC, um Curso Pré-Jornadas, teórico-prático, que abordará a “Identificação e Manutenção de Dadores em Morte por Critérios Neurológicos”. Esta formação contará com presença de Reginaldo Boni, da DTI Foundation (Donation and Transplantation Institute).

Pode consultar mais informações aqui e inscrever-se através do seguinte formulário.




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