Abordagem multidisciplinar ajuda a promover a «Saúde Mental ao longo da vida» em Alvalade

É já nos próximos dias 13 e 14 de outubro que se realizam as VII Jornadas da USF do Parque, que têm como tema central "A Saúde Mental ao longo do ciclo de vida". O evento, que decorrerá no Auditório do LNEC, visa "reforçar a importância da Saúde Mental ao longo da vida e advogar a relevância da promoção da mesma e da intervenção de âmbito multidisciplinar".


Catarina Pinto

Em declarações à Just News, a médica de família Catarina Pinto, que integra a Comissão Organizadora, considera que "a consulta de Medicina Geral e Familiar (MGF) é, sem dúvida, uma das melhores oportunidades para fazermos a identificação e acompanhamento de patologia psiquiátrica" e explica porquê:

"Habitualmente são utentes que seguimos, conhecendo o seu contexto pessoal, familiar, laboral entre outros. Nem sempre é possível nestes doentes e nestas patologias resolver tudo numa só consulta. Mas, mais uma vez, a MGF é particular nesta abordagem, visto poder estender a vigilância e o acompanhamento a vários momentos."

Por outro lado, considera que "uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento Médico, de Enfermagem, com a psicóloga e a assistente social permite um envolvimento clínico muito mais global e longitudinal".


Os três principais impulsionadores das VII Jornadas da USF do Parque: os médicos de família Paula Atalaia, Catarina Pinto e Paulo Coelho

Referenciação a Psiquiatria: "otimizar recursos"

Em declarações à Just News, Paulo Batista Coelho, coordenador da USF do Parque, salienta igualmente a importância de um trabalho desenvolvido em equipa multidisciplinar e recorda que, “durante alguns anos, tivemos consultoria com um colega psiquiatra na USF, permitindo discutir alguns casos clínicos e acertar arestas face à terapêutica".

Esta consultoria entretanto terminou, "por aposentação do colega", mas, na sua opinião, "esse modelo faz muito sentido, sobretudo porque, numa realidade em que a prevalência de doença mental é elevada, os médicos de família assumem uma abrangência cada vez mais lata de tratamento destes doentes… mas é natural que tenhamos dúvidas".

Desta forma, considera que um regime de consultoria que possibilite o "esclarecimento das dúvidas" é fundamental, assim como um "reforço da intervenção e do número de psicólogos na USF, pois permitiria reservar as referenciações a Psiquiatria apenas para os casos efetivamente graves de doença psiquiátrica". Qual seria o resultado? "Permitia otimizar recursos, favorecendo todos os intervenientes".



Intervenção do Serviço Social: "integração plena na equipa multidisciplinar da USF"

Entre os vários oradores convidados para as Jornadas que se realizam dentro de dias, estão também profissionais do Serviço Social. É o caso de Susana Pina, que desenvolve atividade no âmbito do ACES Lisboa Norte.

“A minha intervenção nos Cuidados de Saúde Primários, nomeadamente, junto da USF do Parque, pauta-se por uma visão holística e de prática sistémica em prol do doente e família", refere a assistente social, que irá intervir numa mesa redonda intitulada: "Sinais de alarme em idade pediátrica e estratégias de parentalidade".

Na sua opinião, "a intervenção social só é devidamente eficaz na prevenção primária da doença e na promoção da saúde, se o serviço social estiver plenamente integrado na equipa multidisciplinar da USF". 

Para que tal ocorra com sucesso, "é necessário que haja um reconhecimento dos benefícios para o doente, e para o desempenho da equipa, da existência do assistente social como uma mais valia e como mais um elemento da equipa multidisciplinar, no acesso do doente a bens de saúde e respostas sociais da comunidade".


Susana Pina

Proporcionar a médicos e enfermeiros "uma abordagem multissistémica"

Susana Pina esclarece que o assistente social deverá ter um conhecimento "sobre as várias políticas sociais, judiciais e de saúde, transversais na sociedade", de forma a que possa proporcionar aos médicos e enfermeiros "uma abordagem multissistémica da situação do doente e da sua família".

Assim, para o "sucesso do tratamento do doente, este deverá ter acesso e conhecimento não só ao diagnóstico e tratamento, como conhecimento sobre os seus direitos e benefícios sociais ao seu dispor". E, para que tal ocorra, naturalmente que deverá ter "conhecimento da existência do profissional de serviço social na USF".

Faz ainda questão de destacar a cultura e métodos de trabalho na USF do Parque: "É com regozijo que trabalho diariamente com profissionais de excelência e humanismo desta unidade, que integraram o Serviço Social como uma complementaridade e mais um contributo para a abordagem junto do doente na sua melhora de qualidade de vida, através da prescrição social.”

Elementos da equipa da USF do Parque

Envolver a comunidade para "servir bem os nossos utentes"

Um dos workshops do programa é dedicado à problemática da violência contra profissionais de saúde e vai contar com a intervenção de Sandra Rodrigues, chefe da PSP. À semelhança de outros elementos da comunidade, esta presença da polícia na vida da USF é algo habitual, conforme explica Paulo Baptista Coelho:

"A noção de que apenas integrando todos os elementos da rede de apoio da comunidade é que conseguimos servir bem os nossos utentes constitui um princípio norteador para nós." 

E acrescenta: "É nesta lógica que relações de proximidade com a PSP, por exemplo, nos permite rapidamente identificar situações de risco e atuar em consonância, numa partilha bilateral de informação, alicerçada no conhecimento complementar que temos da comunidade."

Fazendo a ponte com o tema das Jornadas, o coordenador da USF do Parque dá um exemplo concreto da mais valia destas sinergias que têm vindo a desenvolver. "Temos, em Alvalade, várias situações de doentes do foro mental que beneficiam com esta articulação próxima USF/PSP", adianta o responsável.



O médico destaca também "a vertente importante de formação sobre violência que a PSP já nos ministrou, alertando quer para violência existente na comunidade sobre os utentes, quer para a violência sobre os profissionais de saúde, capacitando-nos para atuarmos em ambas as situações.”

Valerá a pena salientar que a Junta de Freguesia de Alvalade é outra das entidades que marcam presença no evento e com quem a USF do Parque tem desenvolvido canais de comunicação e de cooperação. Paula Seno, assistente social, irá participar na mesa redonda "A sobrecarga do cuidador do idoso", um tema intimamente ligado à saúde mental de muitas famílias.

À semelhança de edições anteriores, as VII Jornadas pretendem ser, elas próprias, mais um veículo de "aproximação e integração na comunidade", pelo que a Comissão Organizadora abriu novamente as portas aos "parceiros da comunidade, com o intuito de aperfeiçoar a nossa intervenção e refletir sobre a nossa prática clínica, através da partiha de conhecimentos e experiências".

Podem ser consultadas mais informações sobre as Jornadas aqui.

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