Lição de Jubilação de Luís Graça: uma carreira que «se confunde com a evolução do hospital e da faculdade»

O ginecologista e obstetra Luís Graça completa 45 anos de dedicação à prática clínica, ao ensino e à investigação. Na sua lição de Jubilação, o especialista do Centro Hospitalar Lisboa Norte e da FMUL falou da sua história de vida, que se “confunde com a evolução do hospital e da faculdade”.

Foi na última quarta-feira, 19 de outubro, que Luís Graça se dirigiu a quem enchia a Aula Magna para revisitar os vários passos da sua carreira dedicada à Obstetrícia/Ginecologia, nomeadamente à saúde materno-fetal.

O milagre da vida foi o que mais entusiasmou este especialista, que deixou a sua marca na especialidade, a nível nacional e internacional, a vários níveis. “Como todos os alunos do 5.º ano do curso de Medicina da FMUL, cumpri um dia de permanência no Bloco de Partos, de três em três semanas, que me entusiasmou e me fez ver que aquele era o meu caminho”, recordou. O primeiro parto aconteceria em 1969, quando ainda não tinha terminado a formação, tendo contado com o apoio do médico Manuel Meirinho, “o meu mestre”.



Num longo percurso como médico, professor, chefe de serviço, diretor e investigador, Luís Graça dedicou-se sempre ao Hospital de Santa Maria e à FMUL, onde contribuiu para a introdução de novas técnicas. “Lembro-me que não descansei enquanto não se adotou a analgesia epidural para aliviar as dores do trabalho de parto”, disse.

Luís Graça, que nasceu em 7 de março de 1946, só deixou Lisboa e o hospital quando fez estágios em Inglaterra e nos EUA e quando foi para a Guerra Colonial. Em Luanda, ainda chegou a ser assistente na Faculdade de Medicina.

Ao longo da sua carreira, ocupou vários cargos de relevo, tais como o de presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos (2000-2009), ou o de representante de Portugal no Comité para a Ética do Conselho da Europa (1989-1991). Para além de ainda ser presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF), foi membro do Conselho Científico da FMUL e mantém-se como professor catedrático da FMUL até ao final deste ano.

Na área clínica, atingiu os vários patamares da carreira de um ginecologista e obstetra, tendo terminado em março as suas funções de diretor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do Hospital de Santa Maria, CHLN, e de diretor do Serviço de Obstetrícia.

Na sua lição de Jubilação, garantiu que não vai parar. Além de continuar a assumir, até 2017, a presidência da SPOMMF, vai continuar a ser orientador de três doutorandos em Ginecologia e Obstetrícia. Sendo autor de centenas de artigos, publicações científicas e livros, vai lançar, no próximo ano, a 5.ª edição de “Medicina Materno-Fetal”.

No final da sua lição, fez questão de relembrar que é preciso apostar nos novos talentos. “Temos pessoas muito bem qualificadas, mas, se não são recrutadas, como podem pôr em prática a sua diferenciação?”



Mencionou ainda que seria importante estabelecer-se a figura do especialista doutorando, afirmando: “Pode não ter ainda anos suficientes de prática, mas os seus conhecimentos são demasiado ricos para não serem aproveitados.”

No final da sua carreira clínica, admite que lhe dá especial satisfação o facto de o CHLN ser das instituições hospitalares com baixas taxas de cesarianas, “apesar de receber as patologias mais graves”.

Luís Graça distribuiu agradecimentos a várias pessoas, nomeadamente à sua esposa, aos filhos – uma arquiteta e outro pediatra doutorado – e aos quatro netos.

Relembrou ainda que vai continuar com as atividades de lazer que mais lhe dão prazer, como a coleção de porcelana da China que já o levou à publicação de vários artigos sobre o tema e a exposições no Centro Científico e Cultural de Macau, no Museu do Oriente e na Casa da Ásia (Barcelona).


Calhaz Jorge, Fausto Pinto, Luís Graça, Carlos Martins e Melo Cristino.

Além dos muitos colegas, amigos e familiares presentes na lição de Jubilação, na mesa estiveram Fausto Pinto, diretor da FMUL, Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração do CHLN, Melo Cristino, presidente do Conselho Científico da FMUL, e Calhaz Jorge, o atual diretor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do CHLN, acumulando com a Direção do Serviço de Ginecologia. 


Luís Graça com os filhos André Graça e Rita Albergaria e a esposa, Joaquina Tavares.


Grupo Escola de Aplicação Militar de Angola 1973.



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