Imunodeficiências Primárias: «A disfunção imunitária está na base de uma série de distúrbios»

“Novos Paradigmas em Imunodeficiências Primárias” é a temática central da 20.ª Reunião Primavera da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) que decorre no dia 17 de abril, online. “As IDP são uma área que tem sofrido uma enorme expansão nos últimos anos em termos de conhecimento, mas também em termos de capacidade diagnóstica, através de fenotipagens mais exaustivas e de estudos genéticos mais aprofundados”, indicou Manuel Branco Ferreira, presidente da Sociedade.

Não sendo há algum tempo um dos temas abordados nas reuniões Primavera da SPAIC, Manuel Branco Ferreira considerou que seria o “momento ideal” para revisitar este campo da prática clínica imunoalergológica. “São doentes muito desafiantes do ponto de vista do seu seguimento médico, na medida em que, para todos os efeitos, apresentam multimorbilidades. A disfunção imunitária está na base de uma série de distúrbios que se podem manifestar de forma pleiotrópica e que nem sempre são reconhecidos ou identificados.”

O responsável relembrou, em entrevista à Just News, que são pacientes complexos e cujos equilíbrios são “frágeis, instáveis e voláteis”. Como explicou: “Exigem um investimento de tempo muito grande na sua investigação detalhada e na gestão da sua doença e complicações, além de uma carga psicológica muito relevante que se impõe aos médicos assistentes por não serem incomuns as evoluções desfavoráveis ou mesmo fatais em doentes ainda jovens.”

Nos últimos tempos, a covid-19 trouxe mais desafios por causa da “drástica diminuição”, a nível mundial, das colheitas de sangue. “Existe uma escassez de hemoderivados para o fabrico de produtos que, em vários casos, são uma terapêutica substitutiva absolutamente essencial à vida. Face à incerteza dos próximos tempos, a SPAIC cumpriu o seu papel ao alertar o Infarmed e as entidades competentes.”


Manuel Branco Ferreira

O presidente da SPAIC realçou ainda a multidisciplinaridade que se exige nas IDP, com envolvimento da Pediatria, Infeciologia, Gastrenterologia, Medicina, Cirurgia, entre outras especialidades. “É uma mais-valia para os doentes e sublinha a plena integração dos nossos especialistas nas estruturas hospitalares, à semelhança do que sucede em outras áreas multidisciplinares da Imunoalergologia.”

Organizada pela Direção da SPAIC, em colaboração com o Grupo de Interesse de Imunodeficiências Primárias, será em formato digital por causa da pandemia. “Não é o desejável, já que as reuniões científicas aliam a componente científica à da interação pessoal, o que é extremamente importante para a troca de experiências e aquisição de conhecimentos.”

Contudo, o mais importante é “manter viva a chama da formação médica contínua” e, simultaneamente, também aproveitar as mais-valias dos encontros à distância, que permitem, por exemplo, envolver mais participantes a nível nacional e além-fronteiras, como do Brasil e de países africanos.


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