Ginecologia/Obstetrícia do Hospital Infante D. Pedro: O desafio de manter a acreditação

Aos 57 anos, Mário Oliveira dirige o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) - Hospital Infante D. Pedro há sete anos, mas a ligação ao mesmo vem desde 1988, altura em iniciou o seu Internato da Especialidade.

Desde há quatro anos que o Serviço está integrado no Departamento da Mulher e da Criança, dirigido também por Mário Oliveira, tendo sido acreditado pela DGS em julho de 2016.

Em entrevista à Just News, no âmbito de uma reportagem publicada na última Women`s Medicine, o médico explica que "a acreditação é por cinco anos, com necessidade de ser feita a sua renovação a cada dois anos, o que nos trouxe, em termos de Serviço, bastante trabalho, mas também uma melhoria de desempenho no que respeita aos procedimentos".


Em julho de 2018, teremos uma visita de acompanhamento do processo de acreditação”, conta o responsável, desenvolvendo que “um dos grandes objetivos é continuar a trabalhar para manter a acreditação”.


Sofia Pedrosa, Clara Moreira, Maria José Almeida, Helena Nascimento, Marisa Pinheiro, Sara Neto, Marta Pinto, Mário Oliveira, Nuno Oliveira, Fátima Leitão, Isabel Ferreira, Filomena Ramos, Marisa Moreira e Susana Oliveira

Serviço faz todo o tipo de laparoscopias na área da Ginecologia

Quando assumiu a direção do Serviço, um dos principais desafios prendia-se com os recursos humanos, uma área que estava “bastante debilitada”. Na altura, conseguiu que fossem contratados dois especialistas.


No entanto, “existe ainda um défice significativo de médicos”. A equipa médica é constituída por 19 especialistas, embora, neste momento, quatro deles estejam com um horário reduzido (três com 20 horas e um com 30 horas).



De acordo com Mário Oliveira, o facto de a Obstetrícia ter um serviço de urgência aberto 24 horas por dia faz com que haja um maior consumo de recursos nessa área, o que acaba por lesar as tarefas assistenciais.

O diretor do Serviço esforçou-se ainda para conseguir adquirir novos equipamentos, tendo sido comprados, além de outros, um colposcópio e um ecógrafo. No âmbito da renovação do bloco operatório, que ocorreu em 2013, foi adquirido material de laparoscopia, que “permite fazer todo o tipo de cirurgia laparoscópica no âmbito da Ginecologia”.

No entanto, refere, “como acontece na maior parte dos hospitais do país, pelo menos desta dimensão, o nosso também está subfinanciado. Estamos sempre a lutar com dificuldades na renovação dos equipamentos de que precisamos, para substituir aqueles que avariam”.



Atividade de formação pré e pós-graduada

Além da área assistencial, o Serviço desenvolve ainda atividades de formação pré e pós-graduada em Medicina e Enfermagem, através de parcerias com unidades universitárias no ensino e na investigação.

“O primeiro interno que se formou fez exame da especialidade este ano e, neste momento, já faz parte do quadro do hospital”, revela Mário Oliveira.

O Serviço aceita internos do 5.º ano para formação suplementar (estágios de seis meses) e tem uma capacidade formativa para um interno da especialidade por ano e para um interno do 5.º ano por semestre. Além disso, recebe internos de MGF (habitualmente, três a quatro por cada período).

Através de um protocolo com a Faculdade de Medicina de Lisboa, aceita alunos do 6.º ano, que vão fazer parte do estágio de Ginecologia/ Obstetrícia (geralmente são formações de um mês). Com periodicidade regular, realizam-se reuniões para apresentação de trabalhos de internos.

Precursor da laparoscopia em Aveiro

A cirurgia laparoscópica é a sua área de eleição, tendo sido seu precursor no Serviço. Mário Oliveira iniciou este tipo de cirurgia logo que teve possibilidade de começar a trabalhar com o primeiro equipamento de laparoscopia do Serviço, adquirido em 1977 por um dos diretores.

“É uma cirurgia minimamente invasiva, com uma estadia hospitalar muito mais reduzida, com menos dor pós-operatório e uma recuperação para o dia-a-dia muito mais rápida. Apesar de exigir equipamento mais caro, formação e, nalgumas situações, mais tempo cirúrgico, há uma recompensa associada ao bem-estar das mulheres depois da cirurgia”, explica Mário Oliveira.




A reportagem completa pode ser lida na edição de outubro/dezembro de Women`s Medicine, com declarações também de Sara Neto (no Serviço desde 1989, ano em que iniciou o Internato de Especialidade) e Maria do Céu Silvestre (enfermeira-chefe do Serviço).

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