Projeto CAMI permite aos internistas atualizarem conhecimentos nas variadas áreas

A pandemia da covid-19 pode ter trocado os planos dos internos de formação específica em Medicina Interna, mas isso não tem de ser um problema. “Também é muito importante que um internista saiba dar resposta numa situação tão diferente como a que vivemos”, disse à Just News Luísa Eça Guimarães, cocoordenadora do 3.º Curso de Atualização em Medicina Interna (CAMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI). A iniciativa decorre, online, entre 16 e 21 de novembro.

Numa edição online, na sede da SPMI apenas estão presentes alguns elementos da comissão organizadora do Curso e a equipa de técnicos de imagem e som, que permitem a sua realização à distância para os 229 inscritos. No Porto, mais precisamente no Centro de Reabilitação do Norte, estão outros membros da organização, para se evitarem ajuntamentos.


Luísa Eça Guimarães

Destinado a internos e a especialistas de Medicina Interna, o CAMI tem como objetivo promover a atualização de conhecimentos nas mais variadas áreas, tais como doenças autoimunes, Cuidados Paliativos, Neurologia, Geriatria, Hepatologia, Hematologia, Psiquiatria, doenças cardíacas, endócrinas e metabólicas, doenças infeciosas, Dermatologia, Gastrenterologia, doenças respiratórias e Nefrologia.

“Face à versatilidade da MI, nem sempre é fácil estarmos a par de todas as novidades e o curso é uma forma de se fazer uma revisão e ver o que há de novo, chegando mesmo a ser uma mais-valia para quem vai fazer o exame da especialidade.”



Numa altura em que os internistas estão assoberbados de trabalho na área covid e não covid, a internista do Centro Hospitalar de Póvoa do Varzim/Vila do Conde vê nesta iniciativa mais uma ajuda importante num tempo com novos desafios. “É essencial na consolidação de conhecimentos que não dizem apenas respeito à pandemia, porque isso já se adquire no dia-a-dia.”

Mesmo assim, acrescentou, quis-se trazer o contributo de um virologista para dar uma visão “menos conhecida” da doença, nomeadamente no que se refere ao comportamento dos vírus.

E é precisamente neste ponto que se levanta a questão tão abordada nos últimos tempos: o impacto da pandemia na formação dos internos. Para Luísa Eça Guimarães, existem aspetos positivos que não podem ficar escondidos. “Houve estágios cancelados na primeira vaga, o que obrigou a uma adaptação, mas também é muito enriquecedor aprender com tudo o que se está a passar na Saúde.”



Como especificou: “Devido à versatilidade da Medicina Interna, temos sido chamados para dar resposta a doentes covid e não covid. No caso dos primeiros, é também muito importante que um internista saiba o que fazer numa situação tão diferente como a que vivemos e que exige conhecimento e aprendizagem a nível clínico, organizacional, de gestão e até de articulação entre hospitais.”  


Nuno Bernardino Vieira, Luísa Eça Guimarães e Ricardo Louro

Três anos de uma ideia que surgiu nos EUA

Após o 1.º CAMI, no Porto, seguiu-se o ano passado Vila do Conde e, este ano, estava tudo encaminhado para se realizar em Loures. Com o plano de contingência da covid-19, a comissão organizadora teve de introduzir algumas alterações, passando a formato digital. 

Apesar de alguns receios iniciais, a ideia de ter comunicações à distância já fazia parte dos objetivos. “Face à dificuldade que alguns colegas têm em deslocar-se para um evento de seis dias, já pensávamos ter um curso híbrido e a ideia vai manter-se mesmo no pós-pandemia”, disse Luísa Eça Guimarães.

Ao fim de 3 anos, está satisfeita com o evoluir da iniciativa que surgiu após sua a participação numa ação formativa nos EUA. “Pensei como seria importante termos algo do género em Portugal, em português, e propus a sua realização à SPMI.” O objetivo sempre foi promover a atualização de conhecimentos, mas num ambiente mais interativo e informal do que o que vira nos EUA.

“O CAMI é um curso cientificamente de qualidade, com certificação da DGERT desde o segundo ano, mas onde as pessoas podem conviver e sentir-se à vontade para colocar questões”, frisou.

No próximo ano deverá manter-se o Curso no Sul, mais precisamente em Loures, como estava previsto este ano. “Como os colegas do Sul não puderam ter a possibilidade de ter uma formação presencial, faz todo o sentido mantermos os planos para Loures.”

O CAMI é organizado no âmbito formativo do Centro de Formação em Medicina Interna e do Núcleo de estudos de Formação em Medicina Interna da SPMI.

  

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