Especialistas do CHUC dão formação em São Tomé e Príncipe na área da Gastrenterologia

“Foi a primeira missão em São Tomé e Príncipe do Serviço de Gastrenterologia do CHUC e queremos continuar, foi muito enriquecedor para todos", explica José Cabral, gastrenterologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Entre 11 e 16 de janeiro o especialista integrou uma equipa do “Saúde para Todos: Especialidades”, um programa de parceria entre o Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e o Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe.

José Cabral, a médica Sara Campos e a enfermeira Marisa Melo, do Serviço de Gastrenterologia do CHUC, passaram uma semana em São Tomé e Príncipe, numa missão que permitiu o diagnóstico e a orientação terapêutica de doentes e a realização de formações dirigidas a profissionais são-tomenses.



“No país, não há um único gastrenterologista, apenas dois médicos que têm alguns conhecimentos básicos de endoscopia digestiva. O próprio hospital só tem o que podemos considerar a base para um serviço nesta área, com material muito básico”, refere, em entrevista à Just News.



Apesar das “muitas dificuldades logísticas, realizaram-se 50 exames, consultas, prestou-se assistência a doentes internados e deu-se formação aos profissionais de saúde”, sublinha José Cabral.



De futuro, “esperamos todos manter esta colaboração, com mais visitas presenciais periódicas, formação e com a criação de um canal privilegiado de envio de doentes para o CHUC”. Mas ainda há mais: ”Como já existe uma plataforma, em Portugal e em São Tomé e Príncipe, que permite a prática de telemedicina, queremos aproveitar esta vertente ao máximo.”

Ajuda “preciosa” para um país onde existe muita patologia do foro gástrico. “O principal problema são as doenças hepáticas, como a cirrose, por causa do alcoolismo, que é um verdadeiro drama social. Mas também existem muitos casos de úlceras gástricas e duodenais.”



Relativamente às doenças do fígado, José Cabral salientou ainda o facto de existir “muito pouca informação sobre as hepatites B e C, o que é bastante preocupante”. José Cabral espera que, no futuro, também se possa vir a apostar nesta área.



O programa “Saúde para Todos” é cofinanciado por Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Direção-Geral da Saúde.






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