Embolia pulmonar: criação da Via Verde vai exigir «maior organização a nível nacional»

A criação de uma via verde do embolismo pulmonar (EP) é “um grande desafio para o futuro” e a resposta para a 3.ª causa de morte por doença cardiovascular em Portugal, segundo Rita Calé.

A cardiologista de intervenção do Hospital Garcia de Orta falou à Just News no South Side of the Heart 2019, que assinalou os 20 anos de realização de angioplastia primária e de ablação do Hospital Garcia de Orta (HGO). O evento decorreu entre 25 e 27 de setembro, no hospital e na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.



A EP foi um dos muitos temas abordados ao longo do evento organizado pelo Serviço de Cardiologia do HGO. Rita Calé relembrou a gravidade deste problema de saúde e disse acreditar que, num futuro próximo, se poderá vir a ter uma via verde.

“Temos de olhar para a EP da mesma forma que para o enfarte agudo do miocárdio (EAM) e o acidente vascular cerebral (AVC)”, realçou. A especialista sublinhou ainda que, para isso, é preciso “maior organização a nível nacional”.



PERT: equipas multidisciplinares para "fornecer repostas rápidas"

Enquanto não existe uma via verde, são encontradas outras respostas. “Em Portugal e noutros países têm vindo a ser criadas as chamadas PERT (Pulmonary Embolism Response Teams), que são equipas multidisciplinares. O objetivo é, em equipa, fornecer repostas rápidas sobre o manejo mais adequado em situações de EP de maior gravidade clínica.” No HGO já existe uma PERT desde março de 2018. “Até ao momento já tivemos 57 ativações.”


Rita Calé

Falando ainda sobre outras temáticas do evento, Rita Calé enfatizou a participação de colegas das especialidades de Medicina Interna, Neurologia, Neuroradiologia e Pneumologia. “O doente não tem apenas problemas cardíacos e é preciso integrar o conhecimento de diferentes equipas para se dar a melhor resposta.”

Além disso, acrescentou: “Os procedimentos têm evoluído bastante em termos tecnológicos, sendo cada vez mais complexos, o que exige a colaboração com outras especialidades.”

“A nossa obrigação é promover a inovação”

O diretor do Serviço de Cardiologia e coordenador da Unidade de Cardiologia de Intervenção do HGO, Hélder Pereira, mostrou-se satisfeito com mais esta iniciativa. Este ano tem o sabor especial de assinalar os 20 anos da angioplastia primária e da ablação no hospital. “Na altura, era quase ‘proibido’ realizar estes procedimentos em centros sem Cirurgia cardíaca, mas, vendo que era seguro, avançámos. E ainda bem que assim foi”, recorda.

“Desta forma, a Cardiologia portuguesa conseguiu estender-se a todo o território nacional e permitir o acesso atempado à angioplastia primária”. Os principais beneficiados foram os doentes. “Quem vive nas regiões mais periféricas passou a ter acesso à melhor terapêutica para EAM, que é a angioplastia, em detrimento da fibrinólise.”


Hélder Pereira

Desde então têm-se registado vários avanços tecnológicos e o trabalho da equipa tem-se replicado noutras unidades. “A par da atividade assistencial temos dado muita importância à formação. Temos orgulho que vários colegas, alguns deles responsáveis por laboratórios nacionais, tais como os de Setúbal, Leiria, Faro e Hospital da Cruz Vermelha, tenham recebido parte da sua formação nesta unidade”.

E continuou: “A nossa obrigação é promover também a inovação. Como disse, não basta apostar na prática clínica assistencial, também temos de olhar para a formação e para a investigação. Focarmo-nos apenas na atividade assistencial só traz benefícios nos primeiros tempos, depois estagnamos e deixamos de evoluir”.

Hélder Pereira mencionou ainda que “os centros cirúrgicos estão centralizados apenas nas grandes cidades de Lisboa, Coimbra e Porto, sendo essencial que no futuro a intervenção estrutural se estenda também a centros não cirúrgicos de forma a aumentar a oferta e diminuir a iniquidade do acesso.



"Temos acompanhado a inovação"

Juntamente com Hélder Pereira, Luís Brandão foi copresidente do South Side of the Heart 2019. O coordenador da Unidade de Eletrofisiologia Cardíaca do HGO mostrou-se satisfeito com os 20 anos de prática de ablações de disritmias neste hospital.

“A Eletrofisiologia de Intervenção contempla não apenas o diagnóstico, mas também o tratamento através de ablação por cateter e pela implantação de dispositivos eletrónicos, que têm sofrido um enorme desenvolvimento", refere o especialista, que assegura: "Temos acompanhado a inovação nesta área.”


Luís Brandão, Rita Miranda, Hélder Pereira, Rita Calé e Filipa Ferreira

Nova Sala de Angiografia no HGO

Outro momento importante para o responsável é a abertura de mais uma Sala de Angiografia no HGO. “Dentro em breve iremos ter mais esse espaço, que vai permitir dar resposta em tempo útil às necessidades dos doentes. Atualmente apenas dispomos de uma sala disponível durante dois períodos por semana.” Logo, disse, “a nova sala vai permitir um aumento muito significativo do volume de intervenções”.

Ainda integrado no evento, mas a pensar na população em geral, no sábado, 28 de setembro, realizou-se uma caminhada de 7 km, que começou junto ao Cristo Rei, em Almada, assim como um rastreio de risco cardiovascular e formações sobre sinais de alarme de EAM e AVC e sobre suporte básico de vida.  


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