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«Doutor, o meu smartwatch registou arritmia! O que devo fazer?»

“Os doentes colocam-me esta questão todas as semanas na consulta”, afirma o cardiologista José Ferreira Santos, que considera ser incontornável para os clínicos saberem lidar da melhor forma com a utilização de ferramentas digitais no rastreio de arritmias.

Em declarações à Just News, o diretor clínico do Hospital da Luz Setúbal refere que “cada vez há mais pessoas a utilizar relógios com alertas para a deteção de arritmias e esta é uma realidade que não pode ser ignorada pelos profissionais de saúde”.

“É certo que não é um dispositivo médico”, afirma José Ferreira Santos. No entanto, sublinha, “como médico, tenho a obrigação de integrar essa informação no meu processo de decisão clínica, sendo que estamos a falar essencialmente de fibrilhação auricular, porque é onde o algoritmo neste momento está mais afinado”.


José Ferreira Santos

“Se não compreendemos, não integramos”

A pertinência deste tema levou José Ferreira Santos a incluir uma mesa redonda sobre ferramentas digitais e rastreio de arritmias no programa do Cardiovolution, uma reunião que o Hospital da Luz Setúbal está a organizar em parceria com o Hospital da Luz Learning Health e que se realiza dia 1 de março, em Setúbal, dirigida a médicos internos e especialistas de Cardiologia, mas também de Medicina Interna e de Medicina Geral e Familiar.

Reconhecendo que a inclusão desses dados ainda não é um procedimento habitual junto de muitos colegas, salienta que o objetivo desta sessão passa por “ajudar os médicos a perceber como é que estas novas tecnologias funcionam -para as conseguirmos integrar na nossa decisão clínica, temos de perceber o que é que elas estão a ler e que informação nos estão a dar”.

E fica uma certeza por parte do cardiologista: “Hoje em dia, estes aparelhos ajudam-nos a tomar decisões clínicas e eu tenho vários casos de doentes na minha consulta em que, com a ajuda do relógio,  consegui fazer ou excluir um diagnóstico. Por isso, não tenho nenhuma dúvida da sua utilidade.”



“Não posso dizer: isso não me interessa para nada

Como é que estes dados são integrados na prática clínica? “Obviamente que, como em tudo na Medicina, não há preto nem branco. Ou seja, os dados têm de ser interpretados e enquadrados com o doente que tenho à frente”, refere o cardiologista.

E desenvolve a ideia: “Se um doente  apresenta um traçado ou  um alerta de arritmia dado pelo seu smartwatch, eu não posso dizer-lhe simplesmente ´isso não me interessa para nada`. Tenho de perceber o que faço com aquilo. Aliás, se não o fizer, se calhar até estou a fazer má prática clínica, porque às tantas o doente pode ter tido uma taquicardia ventricular, pode ter sido uma fibrilhação auricular e eu deixei passar.”

Organizado pelo Serviço de Cardiologia do Hospital da Luz Setúbal, o Cardiovolution vai já na sua 4.ª edição, reunindo profissionais de várias unidades do distrito de Lisboa, mas também de outras regiões do país.

Segundo José Ferreira Santos, a reunião diferencia-se pela abordagem muito prática dos temas e por promover uma discussão aberta entre especialistas em todas as mesas redondas. O projeto visa “partilhar conceitos passíveis de serem aplicados na prática clínica no dia seguinte” e discutir novidades “que não podem ser ignoradas”, como é o caso da utilização de smartwatches.

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