Doença VIH: fazer face à discriminação «que se perpetua a vários níveis»

A cidade de Beja recebeu, no último fim-de-semana, as XIX Jornadas do Núcleo de Estudos da Doença VIH (NEDVIH) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e foi o próprio presidente da reunião, Telo Faria, que alertou para um problema que persiste e que continua a exigir uma intervenção dos profissionais.

“A discriminação e a estigmatização tendem a perpetuar-se a vários níveis, como familiar, laboral e social, logo é preciso fazer face a esta realidade”, afirmou o médico internista e coordenador do Núcleo.

Na sessão de abertura, e perante uma centena de participantes, Telo Faria reafirmou assim a necessidade "e o empenho de todos" em combater o estigma, mas também de se "continuar a apostar na qualidade de vida destes doentes", fazendo a ponte para o tema central da reunião: “Doença VIH, mais vida com qualidade”.

Na sua opinião, e fazendo alusão ao programa das Nações Unidas para o VIH/sida, Telo Faria considerou mesmo tratar-se do "4.º 90 da Meta 90-90-90 para 2020, no sentido de se ter a erradicação da doença até 2030”, afirmou. Para isso, o foco deve estar no que é defendido atualmente pela evidência científica: “terapêuticas eficazes, seguras, com o mínimo de efeitos secundários e exigindo uma única toma diária”.


José Robalo, José Reina, Conceição Margalha, Nuno Bernardino, Telo Faria e Paulo Arsénio

O médico da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e coordenador regional do Programa para a Infeção VIH/SIDA, recorda que, nos últimos anos, "um dos grandes avanços foi o reconhecimento como doença crónica". Um conceito que, como salientou, não existia há 13 anos, "quando estas jornadas se realizaram em Beja, em 2006".

“Tratamos estes doentes com qualidade"

Nuno Bernardino, em representação da direção da SPMI, realçou o trabalho desenvolvido em Beja na área da doença VIH e deixou um desafio. “Queremos demonstrar que tratamos estes doentes com qualidade, segundo a mais recente evidência científica.”

E acrescentou: “Uma das missões do atual mandato da direção da SPMI é construir o edifício que permita aos internistas serem reconhecidos como competentes nas mais diversas áreas de intervenção.”

Nuno Bernardino destacou ainda a “atividade muito profícua” do NEDVIH. “São a demonstração da importância dos núcleos de estudos para o vigor da SPMI, que são a grande alma científica da Sociedade ao contribuírem para a atualização e investigação científicas, tão necessárias para nos assumirmos como especialistas capazes de dar resposta às necessidades dos doentes.”


Elementos da Comissão Organizadora: Ana Moleiro (farmacêutica), Cristina Teotónio (médica), Elisabete Gomes da Silva (psicóloga), Sandra Graça (enfermeira), Mafalda Chinita (assistente social), atrás - José Carlos neves (enfermeiro), Telo Faria, Bruno ramalho (enfermeiro) e Fausto roxo

Desenvolvimento da Medicina "e a democratização dos tratamentos"

A marcar presença na sessão de abertura esteve também Conceição Margalha, presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA). A responsável enalteceu o trabalho de Telo Faria e da sua equipa, assim como os avanços a que se tem assistido em menos de 40 anos na área da doença VIH.

“Congratulo-me pelo desenvolvimento da Medicina quer nos grandes como nos pequenos centros, o que permite a democratização dos tratamentos e o melhor acompanhamento dos doentes”, observou.



Ainda da ULSBA esteve José Reina, diretor do Departamento de Especialidades Médicas, que felicitou o trabalho de Telo Faria e da sua equipa na ULSBA. “Este evento é um ponto alto do seu trabalho ao longo destes anos e, nesta fase difícil do Serviço Nacional de Saúde, é importante a realização destes eventos, sobretudo na periferia.”

O presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Alentejo, José Robalo, foi outras das personalidades na mesa de abertura, que enalteceu a relevância da “troca de conhecimentos que se sobrepõe às apresentações e discussões mais formais” e Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja, sublinhou a importância de “a ULSBA estar sempre na vanguarda dos novos tratamentos” na área da doença VIH.

Homenagem a Victor Bezerra

Um dos pontos altos das Jornadas realizou-se no segundo dia, com uma homenagem a Victor Bezerra. O médico é um dos pioneiros no seguimento clínico destes doentes, ao criar, juntamente com os internistas Fausto Roxo e José Mina, a Consulta de Doenças Infeciosas do Hospital Distrital de Santarém, em 1993, à qual se seguiu, em 2005, o Hospital de Dia de Doenças Infeciosas.


Fausto Roxo, Victor Bezerra e Telo Faria

A presidir ao momento estiveram Telo Faria e Fausto Roxo, que sucedeu a Victor Bezerra na coordenação do Hospital de Dia de Doenças Infeciosas do Hospital Distrital de Santarém.

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