Diabetologia: Grupo de Estudos dos Cuidados Primários celebra 1.º aniversário

Há um ano, no 14.º Congresso Português de Diabetes, surgiu a ideia de se criar o Grupo de Estudos dos Cuidados de Saúde Primários (GECSP) da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD). Os primeiros passos começaram a ser dados e, em 23 de junho de 2018, era constituído o GECSP, em Coimbra.

“Começámos por ser 20 profissionais de saúde, atualmente, somos 31. Na sua maioria, são médicos de Medicina Geral e Familiar, mas também temos colegas de Saúde Pública, assim como enfermeiros, nutricionistas e psicólogos. São aqueles que, no dia-a-dia, lidam com pessoas com diabetes e com os seus  familiares”, diz Hélder Ferreira, que assegura coordenação do GECSP desde a sua criação.

O também coordenador da UCSP Celas, em Coimbra, é perentório quando questionado sobre o papel do GECSP:

“O impacto que pode ter na prestação de cuidados é variado e difícil de quantificar. Os ganhos em saúde podem ser medidos com diversos indicadores, no entanto, de uma forma simples, a prestação dos cuidados é facilitada e melhorada se os profissionais envolvidos forem mais conhecedores da doença e suas determinantes, trocarem opiniões e conhecimentos.”

Com o GECSP, pretende-se, assim, propor “orientações de boas práticas de cuidados à pessoa com diabetes, promover investigação, transversal e multidisciplinar estratégias de prevenção e diagnóstico precoce, critérios de referenciação para a integração de cuidados e trajeto da pessoa com diabetes, garantir a formação profissional e promover iniciativas de capacitação da pessoa/família com diabetes”.

Pontos que vão permitir aos vários profissionais de saúde darem uma resposta mais adequada às necessidades terapêuticas, mas não só, das pessoas com diabetes e também aos seus familiares e cuidadores. “Com conhecimento atualizado, mais facilmente se questiona a mais-valia terapêutica de um procedimento, se avalia a eficácia de um medicamento, se associa prognóstico a ação terapêutica”, especifica o responsável.

E continua: “Valorizar os ensinos à pessoa com diabetes e sua família é uma ferramenta extremamente importante, sendo sempre necessário adequá-los às suas reais necessidades. Uma das vantagens dos CSP passa pela possibilidade de efetuar consultas em contexto domiciliário, o que permite ter uma visão mais ampla e mais real do seu quotidiano, das suas dificuldades e necessidades. A atualização é, pois, essencial para dar resposta ao problema.”



Médicos de família são os “melhor colocados e aptos para investir na educação das pessoas”

Há vários anos que Hélder Ferreira se dedica à área da Diabetologia, sendo, inclusive, o coordenador regional da diabetes da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro. E, inevitavelmente, está atento e preocupado com a evolução da diabetes tipo 2.

“Pelos números da diabetes em Portugal e no mundo, verifica-se que as taxas de controlo e prevalência das complicações têm continuado a crescer em termos globais, com alguns sucessos pontuais em áreas específicas”, indica.

A realidade não é assim a melhor, apesar dos avanços na investigação e na descoberta de novos fármacos. Logo, a estratégia principal está, na sua opinião, numa “sensibilização mais assertiva e na capacitação das pessoas e famílias”, na qual os médicos de MGF devem ter um papel ativo.

“São os médicos de família, integrados em equipas de CSP, os profissionais melhor colocados e aptos para investirem na educação das pessoas, ensinando a viver com a diabetes, fornecendo informação para que possam ter autonomia e conhecimento no autocontrolo da sua doença, a fim de terem em atenção todos os fatores de risco”, afirma.

Nesse sentido, além de se apostar na capacitação ou “empowerment” das famílias e pessoas com diabetes, deve-se ultrapassar o que intitula de “inércia clínica, tão enraizada em alguns profissionais”. Estes devem, assim, estar informados sobre a melhor forma de educar para a saúde. Mas não só: “Torna- se também um desafio a atualização sobre novos fármacos e novas tecnologias, gerindo racionalmente o seu uso.”

Questionado sobre as unidades coordenadoras funcionais da diabetes (UCFD), Hélder Ferreira reconhece que não estão implantadas e a funcionar, conforme previsto, em todos os agrupamentos de centros de saúde e ARS, existindo várias assimetrias:

“Na região Norte, apesar de ter sido a primeira região a nomear as UCFD, na prática, não têm atividade regular na região Centro, as 10 UCFD nomeadas foram reconduzidas findos os 3 anos de mandato e têm elaborado os planos e relatórios de atividades, conforme previsto em Lisboa e Vale do Tejo, as UCFD estão nomeadas e têm tido atividade no Alentejo e Algarve, apesar do interesse dos coordenadores regionais, há dificuldades de implementação por falta de médicos e enfermeiros.”

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