Diabetes: APDP quer «concretizar a integração no SNS em 5 anos»

O novo compromisso entre a APDP e o SNS foi o passo mais importante do primeiro ano e meio de José Manuel Boavida à frente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP). Em entrevista à Just News, o presidente da Associação realça que, “no atual contexto de discussão da Lei de Bases da Saúde, a APDP tem pugnado pela sua integração no SNS, defendendo o princípio constitucional de que este é a base de oferta de saúde de todos os portugueses”.

Nesse sentido, foi firmado este acordo, que se iniciará em janeiro de 2019 e que se irá estender até 31 de dezembro de 2023, permitindo à APDP continuar a prestar cuidados às pessoas com diabetes, desde consultas a tratamentos ou exames, e alargar a sua rede de apoio.

“A Associação ajuda a cuidar de cerca de 50 mil pessoas com diabetes, doença que em Portugal afeta mais de um milhão de pessoas. 85 a 90% dos que recebem cuidados na APDP são utentes do SNS”, relembra.

"Criar condições para responder com mais proximidade"

Segundo José Manuel Boavida, “o principal acordo que a Associação tem firmado é com a ARS de Lisboa e Vale do Tejo, mas o novo compromisso vai ainda normalizar os acordos com a ARS do Alentejo e a ARS do Algarve”.



Quanto à zona centro, será dado apoio a pessoas com diabetes das áreas de Castelo Branco e da Covilhã, “zonas onde existe uma grande carência e onde a maioria da população tem os seus familiares em Lisboa”.

No Norte, fica-se pelas situações pontuais, “porque a estruturação de cuidados foi feita de forma diferente. Na zona norte verificam-se bons cuidados de saúde primários e uma resposta mais dinâmica dos hospitais, assim como existe uma maior interligação entre os cuidados primários e secundários”. O apoio a dar no norte será sobretudo, segundo o nosso entrevistado, na formação e na área da investigação.

Resumindo, “a preocupação da APDP é manter e assegurar os serviços que tem prestado, assim como criar condições para responder com mais proximidade e para que em 5 anos estejamos integrados no SNS”.

“O braço direito do SNS”

De acordo com o presidente da APDP, este novo passo demonstra como a Associação tem sido “o braço direito do SNS”, apesar de nem sempre ser fácil. “Quando iniciamos conversações com o Governo ainda nos deparamos com muita inércia, porque a diabetes ainda não é vista como uma patologia sistémica, com enorme impacto na vida pessoal, mas também social e económica,” realça José Manuel Boavida.

Quanto à forma como estes cuidados vão ser prestados, José Manuel Boavida diz que as ARS ainda estão a fazer um levantamento das necessidades. Contudo, não se espera a criação de possíveis “APDP mais pequenas”. Com as novas tecnologias, “podemos apostar na telemedicina, permitindo a consultoria e a supervisão à distância, sempre que seja necessário”.

Medidas que precisam de verbas: "Obviamente que tem de existir financiamento, já que a APDP não recebe qualquer apoio do Estado, como muitos pensam; ao contrário, vivemos de mecenas.”



Este novo compromisso com o SNS reflete o trabalho desenvolvido pela APDP desde a sua criação, em 1926, por Ernesto Roma.  “Fomos a primeira associação de diabetes a nível mundial que ajudou muitos portugueses numa altura em que os mais pobres morriam por não terem acesso a insulina; relembremos que Ernesto Roma foi quem trouxe a insulina para Portugal”, salienta José Manuel Boavida.

O responsável recorda ainda que “a APDP foi pioneira no tratamento da diabetes e apostou desde cedo na educação terapêutica e na abordagem multidisciplinar, na qual se incluía a Podologia”. E especifica:

”As pessoas continuam a percorrer quilómetros para ir às várias especialidades de que precisam, quando na APDP têm acesso a todos os cuidados num único edifício, desde hemodiálise ao pé diabético, passando por Oftalmologia ou até Saúde Mental.”

"Privilegiamos a prevenção"

Nos próximos tempos, José Manuel Boavida garante que “a APDP vai continuar o seu trabalho de excelência”, nomeadamente, na área da prevenção:

“Nós privilegiamos a prevenção e não o urgentismo do Governo. Reforçamos a educação para a saúde e a autogestão, que ajuda cada um a perceber a sua individualidade e aqui a educação para a saúde é fundamental, quer para se evitar o surgimento da diabetes quer para que quem já sofre deste problema consiga prevenir as comorbilidades associadas.”


A entrevista completa com José Manuel Boavida pode ser lida no Jornal Médico dos cuidados de saúde primários de novembro, no âmbito de um Dossier elaborado com o apoio da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e onde participam mais de uma dúzia de especialistas. 

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