Intervir na fase inicial de uma psicose: «Precisamos de mais profissionais nesta área»

“Portugal está muito atrasado em termos de organização de Cuidados de Saúde Mental para pessoas que se encontram nas fases iniciais de uma psicose. Precisamos de ter mais profissionais interessados em estudar e dedicar-se a esta área”, afirma Pedro Levy, psiquiatra no Centro Hospitalar Lisboa Norte, e membro da organização do 4.º Encontro Nacional do Primeiro Episódio Psicótico, que vai realizar-se a 12 e 13 de outubro, no Porto.

Segundo refere, é fundamental criar estruturas de apoio específico aos doentes nas fases iniciais desta patologia, de maneira a terem um acompanhamento mais diferenciado.

Pedro Levy, também presidente da secção “Primeiro Episódio Psicótico” da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, salienta ainda que "em vários países da Europa ocidental, Estados Unidos da América, Austrália e Nova Zelândia foram criadas, há mais de 20 anos, estratégias de intervenção para o primeiro episódio psicótico".


Pedro Levy

Além disso, recorda que, desde o início deste século, "em Inglaterra, é obrigatório que todos os Centros de Saúde Mental tenham uma unidade de intervenção do primeiro episódio psicótico".

“Aspetos que em outros países são obrigatórios, em Portugal não só não são, como em muitos hospitais não há dedicação ao assunto. Não se valoriza. Não acredito que seja por falta de dinheiro, mas sim de organização e de vontade”, menciona.

O psiquiatra faz ainda referência às principais temáticas do encontro, que considera ser de "maior importância”. Na sua opinião, é “fundamental abordarem-se temas como o estadiamento da perturbação bipolar, as terapias de 3.ª geração para as psicoses, a cognição social, a diversidade da apresentação clínica dos quadros psicóticos e a sintomatologia ansiosa e depressiva nas Psicoses".


À semelhança da edição do ano passado, que reuniu cerca de duas centenas de participantes, a expetativa é que o 3.º Encontro Nacional do Primeiro Episódio Psicótico tenha uma grande adesão

Diferenciar as psicoses "para melhorar o prognóstico"

“Investigação em psicose precoce” é outro dos temas em discussão na 4.ª edição deste encontro e que, para Pedro Levy, há ainda muito a fazer: “É necessário congregar os esforços dos vários centros do país para podermos fazer estudos, a nível nacional, com algum volume de doentes passíveis de se efetuar investigação.”

Por último, mas não menos importante, temos a temática “Psicopatologia das psicoses”, que, segundo Pedro Levy, pode dar “boas pistas” da evolução da doença. “O grupo das psicoses é muito grande. É preciso diferenciar as várias características psicopatológicas das psicoses para tentar diferenciá-las “, afirma.

E acrescenta: “Hoje em dia, está a tentar fazer-se um estadiamento da doença, que terá fases precoces, intermédias e avançadas, de modo a intervir adequadamente para cada estádio da patologia e a melhorar o prognóstico.”


Continuidade no trabalho desenvolvido: A Comissão Organizadora do Encontro é a mesma do ano passado: Pedro Levy, Nuno Madeira, Tiago Santos, Ricardo Coentre e Hugo Silva

Psicólogos com "papel muito importante"

Este encontro destina-se fundamentalmente a técnicos de Saúde Mental – psiquiatras e psicólogos. “Os psicólogos têm um papel muito importante na área das doenças psiquiátricas, porque estando inseridos em múltiplas instituições, como as escolas, conseguem detetar precocemente estas patologias e encaminhar os doentes em risco, para acompanhamento”, conclui Pedro Levy.

O programa pode ser consultado aqui.

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