«A Via Verde Oncológica será especialmente importante no cancro do pâncreas»

A criação de uma Via Verde Oncológica poderá ser a solução para se diagnosticar mais cedo o cancro do pâncreas, segundo Rui Maio, coordenador do Centro de Referência para o Tratamento do Cancro Hepatobiliopancreático do Hospital Beatriz Ângelo (HBA) e diretor clínico do Hospital da Luz.

O responsável falou à Just News no âmbito do webinar organizado pelo Hospital da Luz Learning Health, que decorre esta quinta-feira, 19 de novembro, quando se assinala o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas.



O webinar, que conta com a participação de vários oradores nacionais e estrangeiros, vai abordar as diversas vertentes do cancro do pâncreas, uma patologia com uma incidência crescente nos últimos anos e que afeta, por ano, 1400 portugueses.

“Em 2030, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que possa deixar de ser a 3.ª causa de morte em tumores, passando para a 2.ª principal”, referiu o cirurgião.

Face a um tumor que é silencioso na fase inicial e altamente letal, Rui Maio não tem dúvidas: “Seria muito importante criar-se uma Via Verde Oncológica, que permitisse referenciar o quanto antes estes doentes, para que tivessem acesso a centros de referência, onde equipas multidisciplinares e experientes poderiam iniciar o tratamento mais adequado.”

Esta Via não se cingiria apenas ao cancro do pâncreas e seria uma mais-valia, sobretudo, nesta fase pandémica. “As pessoas têm mais dificuldades em ter acesso a cuidados de saúde não-covid e a Via Verde Oncológica seria uma forma de impedir o atraso na resposta, com as implicações negativas que isso tem em termos de prognóstico e morbimortalidade.”

O diagnóstico precoce exige outra aposta: a realização de exames sempre que um doente tenha um conjunto de fatores de risco. “É preciso estar atento a quem é obeso, fuma, tem problemas de alcoolismo, diabetes que começa a descompensar sem causa aparente ou história familiar deste cancro. Nesses casos, é essencial realizar exames.”

Um dos temas do evento online é precisamente o das lesões pré-malignas, que permitem identificar quistos pancreáticos numa fase mais inicial e até benigna, contando com representantes de cirurgiões dos maiores centros europeus de tratamento pancreático.


Rui Maio

Apesar de se tratar de uma patologia com uma taxa de sobrevida de apenas 5 a 8% aos 5 anos, Rui Maio quis deixar uma mensagem de esperança. “Com um diagnóstico precoce e com as atuais alternativas terapêuticas – quimioterapia com esquemas mais eficazes -, há cada vez mais doentes operados e com uma maior taxa de sobrevida.”

Da comissão organizadora do webinar fazem também parte Marília Cravo, gastrenterologista do Hospital da Luz Lisboa, e Jorge Paulino, cirurgião do Centro Hospitalar Lisboa Central. O evento conta o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Cirurgia e da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. O programa pode ser consultado aqui.


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