45 anos dedicados à Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução

A poucos meses de se jubilar, Luís Graça faz o balanço de uma vida dedicada ao Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do Hospital de Santa Maria (CHLN), como médico, professor e diretor. Em entrevista de fundo à Just News, publicada na Women`s Medicine, afirma: “Sou um homem de muitos interesses. Não estou absolutamente nada perturbado com o facto de ter que deixar o hospital”.

Contam-se, ao todo, 45 anos de cordão umbilical, 25 dos quais a fazer urgência, 13 como chefe de equipa e quase 16 como diretor, a maioria deles entrelaçados com o ensino. A partir de março, mês em que completa 70 anos, abandona as funções públicas, mantendo-se, até final do ano letivo, como professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Ainda assim, não haverá cortes abruptos com a Medicina. Em primeiro lugar, porque Luís Graça é orientador de três doutorandos. Depois, porque Portugal só tem três professores catedráticos de carreira no ativo em Obstetrícia e Ginecologia para assegurar funções de júri em provas de agregação – Luís Graça, João Bernardes (Porto) e José Martinez de Oliveira (Covilhã). Por outro lado, continuará a assumir, até 2017, a presidência da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF).



Enquanto não vira mais uma página na sua vida, assegura a gestão de uma área de referência do maior hospital universitário do país, com 32 especialistas e 21 internos: o Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução, que agrupa dois serviços e uma unidade autónoma.

Além de diretor do Departamento, Luís Graça é também diretor do Serviço de Obstetrícia, tendo delegado em Calhaz Jorge a Direção do Serviço de Ginecologia e a coordenação da Unidade de Medicina da Reprodução.

“Não é possível tocar bem todos os instrumentos. Quem dirige uma casa deste tamanho tem que ser muito bom numa área e escolher muito bem quem vai assumir as outras áreas”, frisa Luís Graça, acrescentando que este foi um dos muitos conselhos que recebeu do seu professor e “pai profissional” Manuel Meirinho.



Referência para grávidas com patologia


Na Obstetrícia, em particular, há números que colocam também o Hospital de Santa Maria na lista dos melhores a nível nacional. É, em conjunto com a Maternidade Alfredo da Costa, a unidade de referência para grávidas com patologia, de Leiria ao Algarve. Mesmo assim, tem uma taxa de cesarianas de 26%, menos 8% que a média nacional e muito abaixo dos hospitais privados, com uma taxa de cerca de 66%.

“Temos hoje gente muito qualificada e resultados belíssimos que nos enchem de orgulho. Por isso, saio tranquilo com aquilo que consegui fazer”, sublinha o diretor. À elevada qualificação dos especialistas junta-se o equipamento modernizado e inteiramente rentabilizado em diversos vetores do Departamento.




"Precisamos de mais partos normais e com patologia; precisamos de treino"


Entre vários outros temas abordados na entrevista, Luís Graça explica porque é que os hospitais universitários "são diferentes dos outros" e o que é que essa realidade acarreta. Afirma, nomeadamente, que estes hospitais "têm diferentes responsabilidades, como o ensino pré-graduado e pós-graduado e a investigação. E tendo um determinado tipo de sofisticação, em termos de pessoal e dos equipamentos, são obviamente hospitais de referência, uma vez que recebem a patologia mais rara".

É por essa razão que, ao fim de seis anos de internato, estes médicos conseguem ficar com “conhecimentos muito sedimentados da patologia obstétrica e ginecológica”, o que é enriquecedor. Mas, para que esta realidade se mantenha, "precisamos de mais partos normais e com patologia; precisamos de treino”.



A entrevista completa com Luís Graça pode ser lida na última Women`s Medicine.

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