1.ª Masterclass de Dor do Minho com médicos e enfermeiros «de quase todo o país»

Realiza-se apenas no final do mês, mas há vários dias que estão preenchidas as 150 vagas para a 1.ª Masterclass de Dor do Minho. Na verdade, dado o "extraordinário interesse" que a iniciativa suscitou, a organização abriu mais 25 vagas "que já se encontram também esgotadas".

O evento, organizado por quatro médicos e duas enfermeiras da USF do Minho, é dirigido primordialmente a médicos internos, especialistas e enfermeiros dos cuidados de saúde primários.

Do Minho para o resto do país

De acordo com Jorge Hernâni-Eusébio, coordenador da Comissão Organizadora, a grande adesão "exponencia a nossa responsabilidade de realizar um bom trabalho na organização e procura de qualidade deste evento".

Apesar do desafio que se coloca, "estes números muito nos orgulham, particularmente pela rápida e esmagadora afluência de inscritos". Aliás, é com evidente satisfação que o médico interno explica que o evento ultrapassou há muito as "fronteiras" do Minho e "no que toca às inscrições, conta com uma representatividade geográfica transversal a quase todo o país".


Jorge Hernâni-Eusébio: "Pretendemos que a Dor seja um tema continuamente desmistificado e cada vez mais presente na formação dos profissionais de saúde, particularmente em formação pré-graduada e no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários"

Também o feedback que têm já recebido "por parte de médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde e estudantes em formação pré-graduada) não poderia ser mais positivo. Assim, almejamos cumprir as elevadas expetativas depositadas neste evento, desejando que a iniciativa ajude a formar em Dor de forma profícua, através do contributo de especialistas na área".



Uma conversa e uma sinergia

E como surgiu a ideia de se realizar um evento com estas características? Jorge Hernâni-Eusébio recorda que "tudo teve a sua génese numa conversa sobre Medicina e Ciência entre mim, o Dr. Ricardo Jorge Silva (meu Orientador de Formação de Medicina Geral e Familiar) e o Dr. Raúl Marques Pereira, que foi o meu orientador de Medicina Geral e Familiar durante o meu percurso pré-graduado, volvido o ano lectivo de 2015/2016".

Precisamente nesta altura, o projeto da Consulta de Dor nos Cuidados de Saúde Primários na USF Lethes, a cargo de Raúl Marques Pereira, "estava a dar os primeiros passos."

Durante a sua passagem nesta unidade, sublinha ter tido "o privilégio de participar nessa Consulta pioneira, ficando patente o interesse pela área desde então. E, de forma natural, surgiu assim desta sinergia a vontade de realizar este evento no Minho."


Raúl Marques Pereira: "A 1.ª Masterclass de Dor do Minho é um dos primeiros eventos sobre Dor em Portugal especialmente dedicado aos profissionais dos cuidados de saúde primários"

Não será, assim, de admirar que Jorge Hernâni-Eusébio faça questão de sublinhar que a 1.ª Masterclass de Dor do Minho terá "muito do cunho pessoal e do conhecimento e experiência do Dr. Raúl Marques Pereira, consultor científico do mesmo, aliando a isto uma equipa organizativa jovem com vontade de reunir um elenco de palestrantes com grande relevância no âmbito da Dor no nosso país."

Aliás, o programa contempla a realização de uma sessão sobre a "Consulta da Dor em Cuidados de Saúde Primários" em que, além de outras intervenções, "e como não poderia deixar de ser, será dada uma perspetiva do funcionamento da Consulta de Dor da USF Lethes, pioneira em Portugal".

Um projeto "acarinhado" pela equipa da USF do Minho

Ainda que este não seja um evento desenvolvido pela USF do Minho, a sua organização está a cargo de vários profissionais desta unidade, "o que o tornou particularmente acarinhado pelos restantes profissionais".

Jorge Hernâni-Eusébio faz ainda questão de realçar "o papel fulcral, motivador e de constante apoio de profissionais relacionados com o ACeS Cávado I – Braga e ainda com o Internato de Medicina Geral e Familiar Elísio de Moura".

 
Uma das reuniões de preparação do evento que a Just News acompanhou e onde ficou patente a conjugação de empenho, boa disposição e convicção na relevância da iniciativa

Uma atitude que "dificulta o tratamento da dor"

Será que persiste ainda a ideia de que pouco há a fazer no controlo da dor? "Sem súvida. Esse é ainda um dos grandes obstáculos que se nos coloca", afirma Ricardo Jorge Silva, que integra igualmente a Comissão Organizadora.

Refere que, por um lado, "os utentes ficam sempre muito preocupados com ´a causa` da dor, mas acaba por haver uma atitude de aceitação que pode causar alterações fisiopatológicas conduzindo à cronicidade e a uma maior dificuldade no tratamento".

Contudo, salienta que a abordagem do tema da dor levanta questões igualmente junto de profissionais: "Há também grandes reticências, quer de médicos quer de utentes, para uma abordagem à Dor fazendo uso de alguns grupos farmacológicos tradicionalmente (e erradamente!) associados a situações graves/paliativas, bem como a efeitos secundários mais pronunciados."


Jorge Hernâni-Eusébio e Ricardo Jorge Silva

Assim, de acordo com Ricardo Jorge Silva, é no contexto desta realidade que se realiza a 1.ª Masterclass de Dor do Minho. O evento visa "dotar os profissionais (ou pelo menos desafiá-los nesse sentido) de ferramentas que permitam identificar corretamente a Dor, o manuseio destes fármacos (e dos seus efeitos secundários), bem como de formas de desmistificar os medicamentos junto dos utentes".

O objetivo central é muito simples: "obter o melhor controlo da Dor, tão intensamente quanto necessário e tão cedo quanto possível".

Cuidados primários: "O papel preponderante na interpretação da dor"

"Enquanto profissionais de saúde, devemos identificar e classificar corretamente a dor, de forma a abordá-la da forma mais correta", afirma o médico, assegurando que "toda e qualquer dor tem de ser valorizada."

Nesse contexto, "o papel das Equipas de Família em contexto dos Cuidados de Saúde Primários tem de ser preponderante", e desenvolve a ideia:

"Mais do que conhecer unicamente o físico e biológico, temos um conhecimento intrínseco do emocional, do familiar, do social, avançamos da perspectiva da doença para a perspectiva da dolência e isso abre outras janelas em termos de interpretação da dor, para que a possamos abordar correctamente."


Uma Comissão Organizadora animada com a "enorme adesão" que o projeto está a ter e o seu "contributo para um melhor controlo da dor nos cuidados primários": Carina Ferreira, Ana Palua Caldas, Jorge Hernâni-Eusébio, Ricardo Jorge Silva, Vera Lúcia Marques e Ana Catarina Oliveira

O papel do enfermeiro na "abordagem holística dos utentes"

Além da Comissão Organizadora integrar duas enfermeiras (Ana Paula Caldas e Vera Marques), também o programa da 1.ª Masterclass de Dor do Minho foi concebido de forma a que a Enfermagem tenha "um espaço próprio no programa", refere Jorge Hernâni-Eusébio.  De resto, "tal seria imprescindível e é muito relevante, já que a Dor é uma área em que estes profissionais de saúde têm um papel fulcral."

Como seria expectável, Ana Paula Caldas partilha da mesma ideia: "O papel do enfermeiro nos Cuidados de Saúde Primários, nomeadamente, na intervenção na pessoa com Dor, tem por finalidade a promoção do seu bem-estar e minimização do impacto da Dor nas suas atividades de vida diárias."

"Cabe ao enfermeiro no âmbito da Consulta de Enfermagem, avaliar, diagnosticar, planear, executar e avaliar as intervenções necessárias para o alívio da dor e do sofrimento de cada indivíduo, nas suas diversas vertentes", refere a enfermeira da USF do Minho.

Já Vera Marques recorda que "uma abordagem holística dos utentes implica trabalhar em equipa multidisciplinar, com necessidade do estabelecimento de relação entre os diferentes profissionais e discussão dos casos clínicos em equipa".

Nesse sentido, "está patente no programa definido para a 1ª Masterclass de Dor do Minho a importância do papel do enfermeiro, conceito inovador que pretende direcionar as intervenções dos palestrantes a cada grupo profissional".

O controlo da Dor em cuidados paliativos, a importância da aplicação das escalas da Dor e da articulação com a equipa médica são alguns dos temas que serão debatidos no programa destinado à Enfermagem.

O programa completo pode ser consultado aqui.


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