«É importante facilitar o acesso à inovação na área do medicamento»

Facilitar o acesso à inovação de forma equitativa e não considerar a Saúde apenas como “sinónimo de despesa” foram duas das principais mensagens de João Almeida Lopes, presidente da Direção da Apifarma - Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, na tomada de posse dos órgãos sociais para o biénio 2019-2020.


A cerimónia teve lugar dia 6 de maio, no Teatro Thalia, em Lisboa, tendo contado com a presença de várias personalidades do setor da saúde

João Almeida Lopes, que foi reeleito, realçou que é importante facilitar o acesso à inovação na área do medicamento, como forma de otimizar a qualidade de vida das pessoas que vivem cada vez até mais tarde. “As novas tecnologias de saúde contribuem decisivamente para que vivamos mais tempo, com qualidade de vida e podem contribuir, ainda mais, para o envelhecimento saudável e ativo dos portugueses.”

Nesse sentido, acrescentou, “temos que nos bater para que sejam criadas condições para o acesso dos doentes às novas tecnologias de saúde, medicamentosas e não só” e “é necessário combater a ideia de que a Saúde é apenas sinónimo de despesa e que o medicamento é a sua principal causa”.


João Almeida Lopes

Olhando para a realidade portuguesa, João Almeida Lopes reconheceu “os reforços orçamentais que este Governo tem vindo a fazer na Saúde”. Contudo, apelou: “Devemos ambicionar um nível de investimento público em linha com o horizonte de riqueza do país, como sucede na generalidade dos países europeus.”

De acordo com o responsável, a Indústria Farmacêutica “sempre foi sensível” à questão da sustentabilidade e do financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Sempre defendemos o princípio da estabilidade como elemento fundamental para garantir mais e melhores cuidados de saúde, ao mesmo tempo que queremos contribuir para que Portugal seja um país atrativo para a prática das ciências da vida.”

Nesse sentido, enalteceu o acesso à inovação, tendo por base “rigor científico, amplamente transparente, com critérios claros e mecanismos da decisão suportados em aprofundadas opiniões interpares”.

E acrescentou: “O acesso tem que ser igualmente equitativo. Não se compagina com a criação de tetos irrealistas que, por via de uma subestimativa economicista das reais necessidades terapêuticas, pode limitar o acesso dos doentes aos melhores tratamentos disponíveis.”



O presidente da Apifarma destacou ainda o Pacto Setorial para a Competitividade e Internacionalização para a Área da Saúde, assinado recentemente entre o Ministério da Economia e o Health Cluster de Portugal.

“Este Pacto, ao promover a inovação e a criação de valor nacional acrescentado na área da Saúde, contribui para impulsionar as empresas portuguesas em cadeias de valor internacionais, conduzindo ao reforço efetivo da competitividade da Economia portuguesa”, disse.

Para o responsável, a sustentabilidade deve ter em linha de conta também “equilíbrios orçamentais, comparações razoáveis, níveis de preços alinhados às referências estabelecidas, que não contribuam para o desabastecimento da cadeia de valor do medicamento”.

"Delinear uma estratégia para as doenças crónicas”

A aposta na prevenção foi também tema da intervenção do presidente da Mesa da Assembleia Geral da Apifarma, João Gomes Esteves, que começou por relembrar que: “As doenças crónicas são responsáveis por mais de 80% das mortes na União Europeia e por cerca de 80% dos custos dos sistemas de saúde, no entanto são as mais preveníveis e são conhecidos os seus fatores de risco, como tabagismo, álcool, excesso de açúcar, sal e gordura e sedentarismo.”

Face a esta realidade, o responsável deixou um repto: “Lanço o desafio a todos de se delinear uma estratégia para as doenças crónicas, onde se contemplem aspetos como o acesso à prevenção, a consultas, a cuidados de saúde, a medicamentos, ou seja, que garanta que o SNS está lá quando o cidadão precisa dele.”


Intervenção de João Gomes Esteves

João Gomes Esteves mencionou, neste âmbito, que é preciso ter-se um SNS “organizado, com informação atempada e financiamentos ajustados para a tempo e em tempo se acomodar à procura de cuidados e para que se mobilizem recursos financeiros”.

Relativamente ao setor que representa, alertou: “A Indústria Farmacêutica não é uma ilha, mas um importante setor da atividade económica e um parceiro insubstituível nos sistemas de saúde, que interage com todas as variáveis e que precisa de espaço e tempo para cumprir cabalmente o seu papel.”

O responsável defendeu, assim, que “precisamos de um SNS que defina regras exequíveis para os seus prestadores de serviço” e que seja responsável pelo que denominou de “carreiras profissionais sólidas e compensadoras”.



"Acréscimo de 2 milhões de anos de vida saudável"

Após a tomada de posse dos órgãos sociais para o biénio 2019-2020, houve ainda tempo para relembrar as conclusões do estudo “O Valor do Medicamento em Portugal”, realizado pela Apifarma em colaboração com a McKinsey, segundo o qual, entre 1990 e 2016, "os medicamentos inovadores foram responsáveis pelo acréscimo de 2 milhões de anos de vida saudável, dos quais 180 mil apenas em 2016", como relembrou Hugo Espírito Santo, da Mckinsey.


Francisco Ramos

A intervenção final coube ao Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, que realçou a importância de se trabalhar em conjunto e como o Governo e a Indústria Farmacêutica têm conseguido chegar a bom porto nas negociações.

“Por muitas diferenças que possam existir, no momento decisivo temos sabido chegar a acordo”, afirmou. E deixou um desejo: “Esperemos encontrar novas ações para que seja possível utilizar o investimento que o país tem feiro em termos científicos”.


João Almeida Lopes continua a liderar a Apifarma

Na cerimónia estiveram presentes várias personalidades, nomeadamente do setor da saúde, como a ex-ministra da Saúde Maria de Belém Roseira, a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, a diretora geral da Saúde Graça Freitas, o bastonário da Ordem dos Médicos Miguel Guimarães, assim como representantes das ordens profissionais, das sociedades científicas ou das organizações de doentes.  
 

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